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ROGUE ONE: UMA HISTÓRIA STAR WARS

(Rogue One: A Star Wars Story, 2016)

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13/12/2016 17h15
por Daniel Reininger

Quando a Disney comprou a Lucasfilm muita gente ficou preocupada com o futuro de Star Wars. A notícia de que o Universo Expandido clássico, centenas de livros e HQs, seria desconsiderado para abrir espaço para uma nova trama assustou diversos fãs. Mas aí veio a série Star Wars Rebels, O Despertar Da Força e agora Rogue One e fica cada vez mais difícil não afirmar que a melhor coisa que aconteceu para essa franquia foi ser levada a sério pela Disney.

O primeiro derivado da franquia precisava mostrar que era capaz de contar mais histórias nesse universo sem depender dos Skywalkers e faz isso muito bem ao aprofundar uma trama que todo mundo sabe como termina, mas todos queriam detalhes: Como aconteceu a primeira vitória da Aliança Rebelde e o roubo dos planos da Estrela da Morte. A narrativa detalha, exatamente, os dois primeiros parágrafos do texto de abertura de Star Wars - Uma Nova Esperança, de 1977.

Com a visão mais visceral proporcionada por Gareth Edwards (Godzilla), temos um Star Wars mais adulto. O primeiro a deixar de lado os elementos fantásticos e focar na guerra de forma intensa, emocionante e cruel. As batalhas são animais, o roteiro funciona, os personagens são cativantes, o visual é espetacular e a trilha sonora é inspirada, ao contrário do que acontece com O Despertar da Força, que tem na música e no roteiro similar ao Episódio IV, suas maiores falhas.

+ Veja entrevista com o responsável pelas criaturas de Rogue One

Entretanto, é curioso ver como um filme vendido como derivado funciona muito bem como prólogo, a ponto de se difícil do longa ser totalmente compreendido por quem nunca assistiu aos originais ou, ao menos, conhece bem suas premissas e isso é uma falha. Bem diferente de Despertar da Força, criado exatamente para apaixonar quem nunca deu a mínima para Star Wars até então.

Além disso, o longa quebra com muitos paradigmas de Star Wars e usa elementos inéditos na franquia cinematográfica: não possui texto de abertura, a trama pula longos períodos de tempo e ainda conta com flashbacks, planetas visitados são identificados com textos na tela, os rebeldes são mostrados sem a aura de heróis da moralidade. Pequenas diferenças que, junto com o tom ainda mais sombrio e Stormtroopers que dão medo, garantem algo novo à franquia.

Sem falar que Rogue One corrige a maior falha de roteiro do Episódio IV: O erro fatal na construção da Estrela da Morte, arma definitiva do Império. Impressionante também a forma como Edwards e os roteiristas conseguem amarrar todas as pontas soltas, responder perguntas criadas no filme original e ligar detalhes da trama de forma coesa, por sua vez criando um filme fluido.

O longa funciona também por apresentar um grupo de protagonistas fácil de gostar. Felicity Jones (A Teoria De Tudo) convence como Jyn Erso, filha do principal responsável pela construção da Estrela da Morte, uma criminosa que não faz parte da Rebelião, mas vive à margem da sociedade.

Ela se une a Cassian Andor (Diego Luna) e ao droid K-2S0 (Alan Tudyk como um C3-PO sombrio e com humor negro) para uma missão relativamente simples: conseguir informações com um piloto imperial desertor. O trio tem química e funciona na tela, mas conforme a equipe cresce, fica difícil todos os personagens terem o mesmo bom desenvolvimento e algumas motivações não ficam claras, mesmo assim, nos importamos com todos do grupo.

Entre os vilões, destaque para Ben Mendelsohn, ótimo como oficial clássico do império, no papel do cruel e ambicioso Diretor Krennic. Sobre Darth Vader, Imperador Palpatine e Governador Tarkin, presenças muito esperadas pelos fãs, só resta dizer que todos vão gostar do que verão, especialmente, as cenas com o maior antagonista do cinema de todos os tempos, cuja aparição é simplesmente... sem palavras.

O longa peca, entretanto, na tentativa de reconstruir o rosto de atores da trilogia original; em alguns momentos o uso de computação fica muito claro e tira um pouco do realismo das cenas. Além disso, a primeira metade da história também é devagar e empolga pouco, afinal, é preciso introduzir diversos personagens em pouco tempo e, embora esse fardo seja bem executado, grandes momentos são raros nesse início. Outro ponto negativo é a atuação de Forest Whitaker, que deixa bastante a desejar.

Capaz de garantir o clima de aventura, mesmo em meio à guerra total, Rogue One é um filme repleto de fan service, mas fan service bem feito, capaz de expandir o já impressionante universo de Star Wars, apresentar questões morais e mostrar a galáxia em guerra de outra perspectiva, sem esquecer que ainda se trata de um Star Wars. Batalhas incríveis e momentos marcantes se acumulam e fica claro que a ideia da Disney de investir em Spin-offs é uma grande tática, capaz de funcionar tão bem quanto a trama principal dos Skywalkers. Como fã, poucas coisas podem ser tão recompensadoras como ganhar um filme como esse.

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Daniel Reininger

Daniel Reininger

Editor-Chefe

Fã de cultura pop, gamer e crítico de cinema, é o Editor-Chefe do Cineclick.

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