ROLLING STONES - SHINE A LIGHT

ROLLING STONES - SHINE A LIGHT

(Shine a Light)

2007 , 122 MIN.

anos

Gênero: Documentário

Estréia: 04/04/2008

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Martin Scorsese

    Equipe técnica

    Produção: Michael Cohl, Steve Bing, Victoria Pearman, Zane Weiner

    Fotografia: Mitchell Amundsen, Robert Elswit, Stuart Dryburgh

    Estúdio: Concert Productions International, Granada Entertainment, Paramount Classics, Shangri-La Entertainment, Shine A Light

  • Crítica

    04/04/2008 00h00

    Que fique bem claro: Rolling Stones - Shine a Light não é um documentário sobre os Rolling Stones, mas sim com os Rolling Stones. A diferença é sutil, porém significativa. A intenção do filme não é documentar a carreira desta que é uma das mais importantes bandas de rock de todos os tempos, mas sim registrar um único show, justamente o acontecido no Beacon Theater, em Nova York, no outono de 2006. E, de quebra, mostrar alguns antigos, esparsos e divertidos momentos do grupo.

    O simples fato do documentário trazer como objeto principal um show da famosa banda já seria, por si só, motivo de grande interesse. O que dizer, então, de um filme que não apenas documenta estes autênticos vovôs do rock-and-roll no auge de todas as suas rugas, como também traz como diretor ninguém menos que Martin Scorsese? É a chamada "sopa no mel": Rolling Stones - Shine a Light acaba atiçando não só roqueiros, como também cinéfilos.

    As primeiras cenas do filme são uma ego trip de Scorsese. Ele praticamente se coloca na posição de astro principal do show, assume seu lado ator como um Eduardo Coutinho jamais faria, posiciona-se na frente de suas próprias lentes e até faz a platéia rir ao se desesperar com alguns detalhes imprevisíveis do concerto que virá a seguir. É como se ele quisesse deixar bem claro a todos quem é, afinal, o diretor deste filme. Depois, justiça seja feita: Scorsese entrega tudo aos Stones. Joga sobre a banda todas as luzes e as 13 câmeras que tem direito. Explode em closes, persegue cada movimento com a mesma energia do som que sai dos instrumentos de Mick, Keith, Charlie e Ron.
    A banda, por sua vez, também não deixa a peteca cair. Aos 63 anos (na época da filmagem), Mick Jagger exibe uma elasticidade de 30 e uma cintura de 15. Keith Richards, com um pequeno pin de Piratas do Caribe na lapela, não se poupa em jogar caretas para a platéia, reforçando seu ar de "pirata do bem" que inspirou a criação do personagem de Johnny Depp. Ron Wood ainda quer manter sua fama de mau e Charlie Watts, recuperando-se de um câncer, assume os cabelos brancos e diverte a todos quando finge não reconhecer Bill Clinton... Ou não seria fingimento?

    Fazendo contraponto com as canções, algumas imagens de arquivo com antigas entrevistas dos Stones são, para dizer o mínimo, divertidíssimas. Numa delas, Jagger diz estranhar que a banda "já dure dois anos. E que talvez chegue a durar três". Em outro momento, uma apresentadora da TV japonesa destila descaradamente toda a sua tietagem sobre o mesmo Jagger. E quando perguntado sobre o que faz antes de encarar uma platéia com milhares de pessoas, Keith Richards simplesmente responde: "Eu acordo".

    Além dos quatro astros do rock propriamente ditos, o concerto ainda traz participações especiais de Christina Aguilera, Jack White (guitarrista da banda White Stripes e ator de filmes como Cold Mountain e Sobre Cafés e Cigarros) e um show muito especial e particular do bluesman Buddy Guy, que, aos 70 anos, ainda estremece os microfones com seu vozeirão.

    Em 16 canções executadas na íntegra, Rolling Stones - Shine a Light oferece uma verdadeira overdose (sem trocadilhos) do trabalho que os Stones desenvolvem sobre o palco. Embora no repertório não conste Shine a Light.

    Não por acaso, o filme fez história no recente Festival de Berlim, transformando-se no único documentário a abrir o evento em 58 anos.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus