Saint Laurent

SAINT LAURENT

(SAINT LAURENT)

2014 , 150 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 13/11/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Bertrand Bonello

    Equipe técnica

    Roteiro: Bertrand Bonello, Thomas Bidegain

    Produção: Eric Altmayer, Nicolas Altmayer

    Trilha Sonora: Josée Deshaies

    Estúdio: Scope Pictures

    Montador: Fabrice Rouaud

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Amira Casar, Aymeline Valade, Brady Corbet, Dominique Sanda, Gaspard Ulliel, Helmut Berger, Jasmine Trinca, Jérémie Renier, Léa Seydoux, Louis Garrel, Micha Lescot, Valeria Bruni Tedeschi, Valérie Donzelli, Vittoria Scognamiglio

  • Crítica

    12/11/2014 15h46

    Yves Saint Laurent, um dos maiores estilistas do mundo, cuja vida fechada e tão comentada poderia facilmente ser traduzida em um filme dramático exagerado de polêmicas, ganha um tom totalmente artístico e profundo nas mãos do diretor Bertrand Bonello.

    Saint Laurent retrata a vida do artista entre 1967 e 1976, época cuidadosamente escolhida por ser o auge da sua carreira e ao mesmo tempo um período bem conturbado na história, de mudanças no mundo da moda, na política e nas relações sociais. Contudo, o drama não busca a linearidade dos anos, mas faz transições entre os tempos e faz com que tudo esteja de alguma forma interligado, seja as cores da coleção ou revolução política.

    Gaspard Ulliel dá a vida ao estilista e não tem a mínima dificuldade em personificar seu caráter enigmático, reservado e quase andrógeno. Sempre ao seu lado está Pierre Bergé, seu companheiro e o criador da marca YSL, interpretado por Jérémie Renier, que acaba mostrando o lado mais comercial do negócio, prezando pela valorização do homem e o conceito por trás da marca. Aos poucos também são apresentados, superficialmente, os outros personagens de sua vida, como a modelo Betty Catroux (Aymeline Valade), Loulou de la Falaise (Léa Seydoux) e um dos seus maiores amantes, Jacques de Bascher (Louis Garrel).

    Com Jacques, Yves desenvolve um dos relacionamentos mais complexos da trama, mas mesmo quando o amor fica literalmente claro entre os dois, ainda não é possível estabelecer uma conexão ou sensibilidade com o personagem. Em nenhum momento o longa tenta forçar sentimentos, mas mantém uma distância, retratando o apenas a lenda, e não a alma por trás dela. As cenas de nudez ou abuso de drogas não estão lá para chocar ou mostrar a decadência da estrela, mas simplesmente porque essas eram coisas comuns em sua vida.

    Em meio a todo o caos da vida pessoal, o designer enfrenta ainda as dificuldades de encontrar a criatividade, temporada após temporada, lutando para se reinventar sem perder a grandiosidade, em um cenário de transformações econômicas. E isso acaba sendo uma válvula de escape, o lugar onde ele pode se expressar e descarregar todas as suas crises existenciais.

    Tudo é construído para prezar a beleza estética, com fotografia e produção que enchem os olhos. Ao mesmo tempo, é também fragmentado, com alternância entre cenas longuíssimas e, às vezes, até desconfortáveis, e outras curtas. Ora a música está alta dentro da boate colorida, ora é cortada repentinamente para um jardim silencioso e escuro. Adicionado a isso algumas passagens totalmente subjetivas e subliminares, o objetivo é, portanto, fazer o espectador se perder em seu mundo, sem tentar entendê-lo.

    Bonello entrega um filme difícil de compreender e digerir, que compele a pensar e não a se sensibilizar com a história deste grande nome da moda. Com caráter intelectual e artístico, Saint Laurent se separa do formato de cinebiografias atuais e vai propor uma experiência mais complexa, que pode não ser o favorito do grande público, mas traz inovação e fidelidade ao estilo do diretor.

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