SANGUE NEGRO

SANGUE NEGRO

(There Will Be Blood)

2007 , 159 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 15/02/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Paul Thomas Anderson

    Equipe técnica

    Roteiro: Paul Thomas Anderson

    Produção: Daniel Lupi, JoAnne Sellar, Paul Thomas Anderson

    Fotografia: Robert Elswit

    Trilha Sonora: Jonny Greenwood

    Estúdio: Ghoulardi Film Company, Miramax Films, Paramount Vantage

    Elenco

    Amber Roberts, Barry Bruce, Barry Del Sherman, Bob Bell, Bob Bock, Christine Olejniczak, Ciarán Hinds, Coco Leigh, Colleen Foy, Colton Woodward, Dan Swallow, Daniel Day-Lewis, David Warshofsky, David Williams, David Willis, Dillon Freasier, Erica Sullivan, Hans Howes, Harrison Taylor, Hope Elizabeth Reeves, Huey Rhudy, Irene G. Hunter, Jacob Stringer, James Downey, Jim Meskimen, John Burton, John Chitwood, John W. Watts, Joseph Mussey, Joy Rawls, Kellie Hill, Kevin Breznahan, Kevin J. O'Connor, Louise Gregg, Martin Stringer, Matthew Braden Stringer, Paul Dano, Paul F. Tompkins, Phil Shelly, Randall Carver, Robert Arber, Robert Barge, Robert Caroline, Robert Hills, Ronald Krut, Russell Harvard, Steven Barr, Stockton Taylor, Sydney McCallister, Tom Doyle, Vince Froio

  • Crítica

    15/02/2008 00h00

    O que esperar do novo filme de Paul Thomas Anderson, o mesmo diretor de Magnólia e Embriagado de Amor? Qualquer coisa, menos um trabalho convencional. E para quem gosta de uma narrativa cinematográfica fora das desgastadas cartilhas tradicionais, Anderson entrega o que promete, e acerta mais uma vez no ótimo Sangue Negro.

    Deixando qualquer Syd Field de cabelos em pé, os primeiros 15 minutos do filme não apresentam nenhuma espécie de diálogo. Eles são dedicados à exacerbação seca e silenciosa do solitário trabalho desenvolvido por Daniel Plainview, soberba interpretação de Daniel Day-Lewis (Gangues de Nova York). Ele é um mineiro explorador de prata que prefere realizar todo o seu trabalho sozinho, até o momento em que descobre petróleo e percebe que será necessário também explorar outras pessoas para crescer em sua empreitada e enriquecer cada vez mais. Rude e inescrupuloso, Daniel não hesita sequer em "adotar" uma criança, desde que ela seja útil aos seus objetivos gananciosos. Ambientada na virada do século 19, a trama é inspirada no livro Oil, de Upton Sinclair (1878-1968), escritor norte-americano conhecido pelas suas lutas sociais contra a exploração capitalista.

    Quanto mais se mergulha no filme, mais se percebe a importância daqueles primeiros 15 minutos silenciosos. É ali que Anderson forja tanto o caráter de seu protagonista como a formatação deste seu novo trabalho. Ambos são densos, não fazem concessões, se apresentam áridos, crus e cruéis. A fotografia de Robert Elswit (de Syriana - A Indústria do Petróleo e Boa Noite e Boa Sorte) filtra quentes tons de laranja e parece encher de areia os olhos do espectador. Longos planos abertos destacam a secura dos desertos cavoucados por Daniel que - talvez não por acaso - leva o sobrenome Plainview (algo como "visão ampla, plena").

    Logo nas primeiras cenas, este duro homem, sem raízes nem família mencionadas, se mostra condescendente o bastante para cuidar de um bebê órfão, cujo pai morreu exatamente numa exploração petrolífera comandada pelo próprio Daniel. Culpa? Redenção? Talvez não, como mostra o desenrolar dos fatos. Mas a verdade é que a relação pai/ filho entre estes dois personagens forma no decorrer da narrativa uma fortíssima espinha dorsal de forte caráter emocional que, sem medo de precipitações, já coloca Sangue Negro entre os melhores filmes deste ano recém-nascido.

    Anderson dirige com maestria. Não tem pressa. Conhece bem o tempo fílmico e não sucumbe às tentações comerciais dos cortes rápidos e das simples e preguiçosas explicações verbais. Ele usa suas ferramentas cinematográficas com raro talento. Mas talvez o maior acerto entre os vários que o filme apresenta seja a ousadia da marcante trilha sonora do inglês Jonny Greenwood, do grupo de rock-and-roll Radiohead. Após compor algumas canções para os filmes Romeu + Julieta e Albergue Espanhol, entre outros, Greenwood assina pela primeira vez a trilha de um longa de ficção e, logo nesta sua estréia, já obteve indicações aos prêmios do Chicago e do Broadcast Film Critics Association. Sabe aquela velha história que a boa trilha sonora é aquela não "briga" com o filme? Que passa despercebida pelo espectador? Esqueça! Na mesma linha que a musicista britânica Jocelyn Pook desenvolveu para a trilha de De Olhos Bem Fechados, Greenwood também prefere os acordes fortes e não necessariamente "adequados" (no sentido confortável da palavra) ao que se vê na tela. Em tons muitas vezes dissonantes e com uma intensidade dramática como há muito não se ouvia no cinema, a trilha de Sangue Negro é quase um personagem a parte dentro do filme.

    Sangue Negro acumula uma série de prêmios importantes e indicações, grande parte delas para o trabalho de Daniel Day-Lewis - ganhador do Globo de Ouro de Melhor Ator, entre outros. Imperdível.

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