SEGURANÇA NACIONAL (2009)

SEGURANÇA NACIONAL (2009)

(Segurança Nacional)

2009 , 120 MIN.

10 anos

Gênero: Ação

Estréia: 07/05/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Roberto Carminati

    Equipe técnica

    Roteiro: Bruno Fantini, Daniel Ortiz, Roberto Carminati

    Produção: Diogo Boni

    Fotografia: Bruno Fantini

    Trilha Sonora: Juliano Cortuah

    Estúdio: Diogo Boni Filmes

    Distribuidora: Europa Filmes

    Elenco

    Ailton Graça, Ângela Vieira, Gracindo Júnior, Marcio Rosario, Milton Gonçalves, Sonia Lima, Thiago Lacerda, Viviane Victoretti

  • Crítica

    05/05/2010 14h46

    Segurança Nacional é um filme fascista travestido de filme de ação. Não é novidade como os dois costumam andar juntos especialmente no cinema americano, vide Rambo, Desejo de Matar, Stallone Cobra e mais um caminhão de títulos. Só que Segurança Nacional vai além e tem um ingrediente particular: é um filme de propaganda.

    Afinal, o que pretende quando coloca uma frase de efetio na boca do presidente (interpretado por Milton Gonçalves) para, logo em seguida, dar um close-up na bandeira brasileira tremulando altiva? Uma sequência que remete às propagandas do Exército na televisão (“aliste-se”) e à submissão a uma única bandeira. No subtexto, cabe pedir benção às Forças (salvadoras) Armadas – isso mesmo, a mesma instituição que comandou uma ditadura militar no Brasil por 21 anos.

    Quem se encarrega de ressaltar os feitos da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) é o personagem do agente Marcos Rocha (Thiago Lacerda), um tipo galã e o melhor funcionário da instituição. Ele está sob as ordens de Glória (Angela Vieira), a diretora, e tem de evitar um atentado que pretende desestabilizar o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia).

    Dirão que Tropa de Elite também foi acusado de fascita. Existem dois poréns. O primeiro: a história é contada sob o ponto de vista de um personagem, como o é a maioria dos filmes do gênero, com heróis que matam porque o Estado está podre ou porque o Estado não dá conta de vingar uma dor pessoal. O segundo porém: é um baita filme, bem mais complexo, seja pelo Bope ou pelas acusações à classe média.

    Segurança Nacional não é nem um, nem outro. É um filme que apresenta a Abin como uma agência extremamente eficiente (e passa longe de questionar quanto de seu quadro ainda guarda militares que serviram à ditadura nos tempos de SNI) e cujo único personagem a contestar a eficiência do Sivam é um senador corrupto, o que automaticamente desmoraliza qualquer crítica ao sistema. Sem contar que o agente Marcos, politicamente correto, só age dentro da lei e, mesmo assim, alcança todos os seus objetivos.

    Ou seja, ao lado das cenas de perseguição, dos diálogos explicativos e dos bandidos canastrões está a propaganda patriota de uma instituição.

    É realmente triste ver que o válido esforço em diversificar a produção brasileira (que tem poucos filmes de ação) resultou em um filme fascita que, a pretexto de entreter, faz um retrato chapa-branca. Não é a história de um herói que está dentro de agência de inteligência, mas um filme que usa o personagem para enaltecer a instituição.

    O cinema não precisa disso.

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