SEJA O QUE DEUS QUISER!

SEJA O QUE DEUS QUISER!

(Seja o Que Deus Quiser!)

2003 , 90 MIN.

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Murilo Salles

    Equipe técnica

    Roteiro: João Emanuel Carneiro, Maurício Lissovsky, Murilo Salles

    Produção: Flavio Frederico, Rômulo Marinho Jr

    Fotografia: Gustavo Habda

    Trilha Sonora: Fernandinho Beatbox, Instituto

    Estúdio: Cinema Brasil Digital

    Elenco

    André Mattos, Bárbara Paz, Caio Junqueira, Débora Lamm, Ludmila Rosa, Marcelo Serrado, Marília Pêra, Nicete Bruno, Nildo Parente, Rocco Pitanga, Sabrina Greve

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    O longa Seja o que Deus Quiser é daquele tipo de filme que costuma suscitar manifestações de amor e ódio entre os espectadores. É difícil o meio termo: ou você vai gostar dele ou vai odiá-lo. Eu, particularmente, gostei e vou dizer por quê.

    Quinto filme do cineasta Murilo Salles, autor do premiado Como Nascem os Anjos, Seja o que Deus Quiser pode ser considerado uma ousadia cinematográfica do diretor, uma espécie de catarse em forma de comédia de erros que satiriza a banalização da violência, a falta de ética e os contrastes sociais do País. Uma grande ironia a começar pelo título, pois o que Deus quer, aqui, nem sempre é o esperado ou o justo. O Todo-poderoso é o destino, que numa sociedade injusta, pode ser implacável.

    Quem descobre isso é PQD (Rocco Pitanga), o protagonista da trama. Músico, negro e morador de uma favela do Rio de Janeiro, ele se envolve com Cacá (Ludmila Rosa), uma VJ da MTV que sobe o morro para fazer uma reportagem. Seguindo a máxima "os opostos se atraem", PQD e Cacá passam a noite juntos. Mas a trepadinha descompromissada acaba se transformando em caso de polícia quando Cacá, ao acordar, é surpreendia por dois marginais que invadem a casa do rapaz enquanto ele está fora. Agredida e roubada, ela termina por denunciar PQD injustamente à polícia.

    Nesse ponto, o roteiro dá uma guinada. Procurado pela polícia, PQD parte para São Paulo na esperança de desfazer o mal-entendido. Para ele "tudo vai se resolver se a gente conversar numa boa". Mas antes de encontrar Cacá, seu caminho cruza o do irmão da moça, o afetado e alienado Nando (ótimo trabalho de Caio Junqueira), uma caricatura dos jovens bem-nascidos e inconseqüentes movidos a drogas e música eletrônica. Daí em diante - e até o final do filme -, o acaso (sempre ele) termina por inserir PQD num universo desprovido de ética e movido por interesses pessoais.

    Não vou dar mais detalhes da trama. Seja o que Deus Quiser é um filme para ser visto e não descrito. Você pode amá-lo ou odiá-lo, mas não vai sair da sala de projeção indiferente. Além disso, merece destaque por ser mais uma obra diversa (e põe diversa nisso!) dentro do cinema brasileiro. Murilo Salles está de parabéns nem que seja pela coragem.

    E como terminar essa crítica sem mencioná-las seria uma injustiça, Nicete Bruno - numa participação especial - e Marília Pêra, que interpreta a desmiolada mãe do personagem Nando, já valem a ida ao cinema. Elas estão impagáveis.


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