SER E TER

SER E TER

(Être et Avoir)

2002 , 104 MIN.

anos

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Nicholas Philibert

    Equipe técnica

    Produção: Gilles Sandoz

    Fotografia: Hugues Gemignani, Katell Djian, Laurent Didier, Nicholas Philibert

    Trilha Sonora: Philippe Hersant

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Uma análise mais apressada poderia dizer que Ser e Ter é um filme onde nada acontece. Sem nenhuma pressa, a câmera documental de Nicholas Philibert passeia sobre a pacata vida de um professor e seus alunos, numa pequena escola perdida em algum lugar do interior da França. O tempo passa devagar. Neva. Faz sol. Chove. Há belos crepúsculos. Crianças chegam de van. Vão embora. Voltam no dia seguinte. A visão ofuscada pela leitura do cinema clipado e ansioso dos nossos tempos a princípio estranha a estética do filme. Porém, aos poucos, vamos deixando o urbano do lado de fora do cinema para embarcar nesta viagem bucólica onde o tempo se mede em meses, não em minutos.

    Esqueça a linguagem do documentário tradicional. Premido em vários festivais internacionais, Ser e Ter não tem narração, nem imagens de arquivo, nem depoimentos formais. Apenas a visão da câmera observando atentamente o trabalho de um mestre e seu punhado de alunos. Vamos conhecer os personagens - reais - aos poucos. Sem pressa, como propõe o próprio ritmo do filme. Devagar, vamos perceber que quase todos naquela pequena escola têm uma história para contar, um pequeno drama para viver. Um microuniverso muito particular de cada um. E, de repente, estaremos rindo ou chorando com cada um daqueles meninos e meninas. E para provocar toda esta emoção bastou uma câmera bem colocada, uma edição bem pensada (premiada com o César). Porque não há roteiro melhor no mundo que os argumentos que nos contam as vidas reais. Ser e Ter é um filme onde o único efeito especial é a emoção em seu estado mais bruto. Por isso, uma análise mais apressada poderia dizer que é um filme onde nada acontece. Mas uma visão mais aprofundada vai mostrar que se trata de um filme onde tudo acontece: o início da vida escolar, o desabrochar da educação, a pavimentação da longa estrada que todos aqueles pequeninos ainda irão percorrer. A importância das palavras, gestos e atitudes do primeiro professor. Se isso não é tudo, o que seria?

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