SIMPLESMENTE FELIZ

SIMPLESMENTE FELIZ

(Happy-Go-Lucky)

2008 , 118 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 27/03/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Mike Leigh

    Equipe técnica

    Roteiro: Mike Leigh

    Produção: Simon Channing Williams

    Fotografia: Dick Pope

    Trilha Sonora: Gary Yershon

    Estúdio: Film4

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Alexis Zegerman, Andrea Riseborough, Elliot Cowan, Kate O'Flynn, Sally Hawkins, Sarah Niles, Sinead Matthews

  • Crítica

    27/03/2009 00h00

    Acostumado em filmar tramas pesadas e sombrias, como ocorre em seu último filme, O Segredo de Vera Drake, o cineasta britânico Mike Leigh deve ter cansado de tanta tristeza. Pelo menos é o que parece mostrar seu novo longa, Simplesmente Feliz.

    A primeira cena já mostra as intenções do filme: uma menina feliz passeia em sua bicicleta; a trilha é uma composição que remete a contos de fadas, como toda a música do filme. Ela é Poppy (Sally Hawkins), uma mulher de 30 anos recémcompletos que só sorri. Sorri de tudo, numa leveza que dá gosto de se ver. Ela trabalha como professora de crianças e parece se divertir nas aulas tanto quanto seus alunos. Essa sua sensibilidade infantil é refletida não somente na atitude, mas também nas roupas: cores, texturas, acessórios a perder de vista. Ou melhor, a não perder de vista, já que seu visual é espalhafatoso, curiosa e hilariamente ridículo. Tudo faz parte.

    Alguns encontros e situações fazem com que percebamos que tudo está relacionado à questão de se tornar adulta. Não que ela veja problemas com isso - na realidade, ela até parece encarar bem a questão, como todos os outros obstáculos que aparecem em sua vida -, mas evita a realidade com um bom humor único. Ela não quer se prender a um homem, não pretende morar num apartamento seu - tanto que divide há dez anos um com sua melhor amiga -, não pretende usar roupas mais sóbrias. Mas não liga se precisar. Faz parte.

    O contraponto é feito por meio do personagem Scott (Eddie Marsan), o instrutor de aulas de direção mal-humorado. Quando Poppy se vê obrigada a conviver com esse homem que representa tudo que ela mais tem fugido ao longo de seus 30 e poucos anos, acaba encarando como a forma que sempre encontrou para partir em busca da felicidade - a maturidade e a fuga por trás de um sorriso aberto, quase sempre honesto - pode não ser tão consistente. Poppy, portanto, representa um estilo de vida que, superficialmente, pode ser visto como o título em português sugere, como a simples felicidade, mas nem sempre essa felicidade é tão simples assim.

    Desta forma, Simplesmente Feliz é uma bem-humorada e aparentemente leve crônica do mundo adulto, sem jamais ser superficial; a passagem tardia de uma personagem adorável - interpretada de forma excelente por Sally, não à toa premiada com o Urso de Prata de Melhor Atriz Festival de Berlim de 2008 e o Globo de Ouro - por esse universo tão assustador mesmo para pessoas com mais de 30 anos.

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