SIN CITY - A CIDADE DO PECADO

SIN CITY - A CIDADE DO PECADO

(Sin City)

2005 , 124 MIN.

Gênero: Aventura

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Frank Miller, Robert Rodriguez

    Equipe técnica

    Roteiro: Frank Miller, Robert Rodriguez

    Produção: Elizabeth Avellan, Frank Miller, Robert Rodriguez

    Fotografia: Robert Rodriguez

    Trilha Sonora: Robert Rodriguez

    Estúdio: Dimension Films

    Elenco

    Alexis Bledel, Benicio Del Toro, Brittany Murphy, Bruce Willis, Clive Owen, Elijah Wood, Jessica Alba, Josh Hartnett, Maria Bello, Mickey Rourke, Nick Stahl, Rosario Dawson

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Quando começaram a aparecer na imprensa, tanto nacional quanto estrangeira, as primeiras impressões sobre Sin City - A Cidade do Pecado - longa que chega aqui com quase quatro meses de atraso em relação aos EUA -, evitei ler qualquer coisa. O objetivo era preservar todas as surpresas guardadas por esta adaptação da grafic novel homônima de Frank Miller (da qual sou bastante fã, por isso tamanha ansiedade). Assistindo ao longa dirigido pelo próprio criador das histórias em quadrinhos - ao lado de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino como "diretor convidado" em uma cena -, posso dizer que não fui surpreendida. O que não é ruim, muito pelo contrário. Trata-se da perfeita transposição dos quadrinhos para a tela. Ou seja, tudo que vi na tela eu já havia lido em papel. Mas existe ainda a magia do cinema que, por mais clichê que possa parecer, existe.

    Por tamanha perfeição, Sin City - A Cidade do Pecado tem sido apontado como um marco entre as adaptações de HQs - prática que já pode ser considerada um gênero à parte dada a quantidade de produções oriundas dos quadrinhos que vêm pipocando nos cinemas. Sin City - A Cidade do Pecado é belo, sujo, violento, canastrão, sensual, machista e ensangüentado do jeito que deveria ser. Do jeito que Frank Miller sempre quis desde o papel até a película.

    Sin City - A Cidade do Pecado une quatro histórias dos quadrinhos: O Assassino Amarelo, A Cidade do Pecado, A Grande Matança e O Cliente Tem Sempre Razão. O título do filme é uma espécie de apelido para a cidade de Basin City, onde se passam as histórias. Na cidade do pecado (traduzindo "Sin City" ao pé da letra), há pouco espaço para as virtudes. Os policiais são corruptos, o Centro Velho é dominado por voluptuosas prostitutas e os padres da cidade também não são muito corretos, bem como os políticos. Nada muito diferente do que estamos acostumados a ver por aí. O pecado jorra nas ruas da cidade, assim como o sangue.

    As histórias são protagonizadas por heróis durões que não pensam duas vezes ao disparar uma arma. Inclusive, tiros não faltam em Sin City - A Cidade do Pecado, assim como sangue e mulheres curvilíneas. Os protagonistas do filme são geralmente motivados por alguma mulher. Em uma das histórias, o caso do policial Hartigan (Bruce Willis) que, prestes a se aposentar e tomado por uma doença no coração, põe tudo a perder para salvar uma garotinha das mãos do pedófilo Júnior (Nick Stahl) que, não bastando, é filho do senador Roark (Powers Boothe), o homem mais poderoso da cidade. Ou de Marv (Mickey Rourke, a melhor atuação do longa), um "brucutu" que tem o rosto deformado e sai à caça da pessoa que matou Goldie (Jaime King), a única mulher que lhe deu um pouco de atenção.

    As pequenas histórias que compõem Sin City - A Cidade do Pecado têm sempre os mesmos elementos: narrativa em primeira pessoa (bem ao estilo do cinema noir, cuja fonte alimenta este filme do início ao fim), muita violência, anti-heróis dispostos a salvar mulheres e vilões maus. Muito maus. A fotografia é um espetáculo à parte. Com altos contrastes em preto-e-branco, são criados belíssimos jogos de luz e sombra, exatamente como nos quadrinhos desenhados por Frank Miller. Em alguns trechos, o filme dá espaço a algumas cores - como o sangue no rosto do herói, o azul dos olhos de uma personagem, o vermelho do vestido de outra ou mesmo a pele amarela do assassino. Em outras, o sangue tem cores intensas, como branco ou amarelo, criando um contraste ainda maior. Tudo em Sin City - A Cidade do Pecado é propositalmente exagerado, estilizado, como se os altos contrastes, não somente de luz e sombra, mas também na atuação dura dos atores, fossem trazer o clima achatado das histórias no papel.

    Sin City - A Cidade do Pecado ainda traz um verdadeiro desfile de personagens únicos e bem definidos, que vão desde uma prostituta ninja que não fala uma palavra (vivida por Devon Aoki) até o zombeteiro Marv, o grande destaque. Suas piadas são melhores e ele até voa. Não tem como não adorá-lo. Mas o mais importante é que todos estão muito bem caracterizados em relação aos desenhados originalmente por Miller. Dessa forma, mais do que sensacionais grafic novels, Miller produziu storyboards para este filme, os quais foram bem aproveitados pela dupla que fez com Rodriguez. Esse olhar de criador foi essencial para que o longa fosse tão bem-sucedido no sentido de adaptação.

    Na verdade, Sin City - A Cidade do Pecado não é um filme excepcional. Com atuações canastronas, violência em excesso e narrativa semelhante aos dos filmes noir já feitos há 50 anos, o filme não traz muita novidade. A própria fotografia, que mistura o preto-e-branco predominante com o colorido em alguns objetos isolados, já foi feito em filmes como Pleasantville - A Vida em Preto-e-Branco (1998). No entanto, Sin City - A Cidade do Pecado tem seus créditos por ser uma adaptação tão rica e fiel de histórias em quadrinhos. Nesse sentido, o filme de Rodriguez e Miller é realmente único e, por isso, imperdível. Assim como as grafic novels de Miller, disponíveis no mercado brasileiro.

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