SINÉDOQUE, NOVA YORK

SINÉDOQUE, NOVA YORK

(Synecdoche, New York)

2008 , 124 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 17/04/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Charlie Kaufman

    Equipe técnica

    Roteiro: Charlie Kaufman

    Produção: Anthony Bregman, Charlie Kaufman, Sidney Kimmel, Spike Jonze

    Fotografia: Frederick Elmes

    Trilha Sonora: Jon Brion

    Estúdio: Sidney Kimmel Entertainment

    Elenco

    Catherine Keener, Dianne Wiest, Emily Watson, Jennifer Jason Leigh, Michelle Williams, Philip Seymour Hoffman, Samantha Morton

  • Crítica

    17/04/2009 00h00

    De acordo com o dicionário, a palavra sinédoque significa um tipo especial de metonímia baseada na relação quantitativa entre o significado original da palavra e o conteúdo ou referente mentado. A palavra é tão complicada quanto seu significado, perceba, o que tem absolutamente tudo a ver com a própria obra do roteirista Charlie Kaufman, autor de filmes como Quero Ser John Malkovitch, Adaptação e Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. Em Sinédoque, Nova York, Kaufman não somente cria mais uma de suas esquisitas, complicadas, cheias de figuras de linguagens e de gosto bastante específico, mas também assume a direção de um longa-metragem pela primeira vez em sua carreira.

    Sinédoque, Nova York gira em torno diretor teatral Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman), que está prestes a ter encenada sua montagem de A Morte do Caixeiro Viajante, de Arthur Miller. Ele é casado com a artista plástica Adele Lack (Catherine Keener), com quem tem uma filha, a adorável Olive (Sadie Goldstein), de quatro anos. A encenação da peça escrita por Miller é o ponto de partida para a trama do longa-metragem. É quando Cotard começa a ficar obcecado por sua própria morte. Seu corpo reflete sua obsessão em pústulas, dores, crises epiléticas, enquanto, pouco a pouco, ele perde a noção da realidade e do tempo, perdendo o controle da família e do próprio trabalho. Especialmente depois que ele ganha um prêmio em dinheiro e resolve montar uma peça sobre sua própria vida dentro de um gigantesco galpão em Nova York. O galpão passa a ser um simulacro doentio de sua própria existência, levando tudo a situações cada vez mais bizarras e surreais, bem ao estilo Kaufman de contar uma história.

    O fato de tudo começar com a encenação de A Morte do Caixeiro Viajante faz todo o sentido, já que, assim como o protagonista da história de Miller, o personagem principal de Sinédoque, Nova York perde o senso da realidade, caminhando para uma espiral de autodestruição quando começa a acreditar na felicidade de sua existência. A decadência do personagem também tem início no outono, "o começo do fim", conforme ele mesmo define, enquanto a melancolia guia os personagens ao fim.

    Sinédoque, Nova York é um filme bastante angustiante, já que o roteiro envolve o espectador na realidade doentia de seu protagonista. Para quem já admira os trabalhos anteriores de Kaufman no roteiro, pode esperar um texto similar neste novo filme. No entanto, o autor não tem na direção a força que apresenta em seus textos. A câmera está sempre parada, como se estivesse entediada perante a trama. Falta mise-en-scène à Kaufman em sua estreia como diretor, embora o filme ainda traga esse texto tão peculiar que é característico do roteirista.

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