SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOURA

SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOURA

(Singularidades de Uma Rapariga Loura)

2009 , 65 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 13/05/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Manoel de Oliveira

    Equipe técnica

    Roteiro: Manoel de Oliveira

    Produção: François d'Artemare, Luis Miñarro, Maria João Mayer

    Fotografia: Sabine Lancelin

    Distribuidora: Filmes da Mostra

    Elenco

    Catarina Wallenstein, Diogo Dória, Filipe Vargas, Júlia Buisel, Leonor Silveira, Miguel Seabra, Ricardo Trepa, Rogério Samora

  • Crítica

    12/05/2011 09h00

    Manoel de Oliveira, com quase 101 anos, é o mais jovial e moderno dos diretores de cinema. Com seu último filme, Singularidades de uma Rapariga Loura, um divertimento de pouco mais de 60 minutos de duração, inaugura a narrativa de todas as épocas.

    Que não se enganem. Oliveira fala do agora, do presente vencido pela mediocridade, das tradições que insistem em se manter em Portugal, paralelamente aos computadores e carros modernos. Daí sua vibrante atemporalidade.

    Numa Lisboa que parece pertencer ao início do século passado, vive Macário (Ricardo Trêpa, neto de Oliveira), contador do armazém de seu tio. Num belo dia, ele descobre a bela vizinha, que vive de ostentar um belo leque chinês à janela. Apaixona-se por ela, vive horrores para conseguir o passaporte para o casamento, mas descobre um grave inconveniente, que é melhor manter em segredo por aqui.

    Tudo o que vemos é narrado por ele, em uma viagem de trem ao Algarve, realizada para que ele se esqueça da paixão infeliz, a uma senhora compreensiva vivida por Leonor Silveira (musa do diretor nos anos 90, atriz da obra-prima Vale Abraão).

    Existem duas partes distintas no filme. A primeira, quando vemos a conquista, é um primor e mostra toda a excelência do diretor como encenador, com verdadeiras pinturas captadas pela lenta da câmera. A partir do poema recitado pelo ator veterano Luíz Miguel Cintra (que interpreta ele mesmo), entra a segunda parte, quando Macário já conquistou a rapariga e agora tem de acumular uma fortuna para poder constituir família.

    É quando o filme cai, de uma maneira estranha e quase inédita na carreira de Manoel de Oliveira. Existem momentos de gênio, como a sequência final, que culmina com o último e assustador plano da rapariga. Mas o curioso balanço que havia sido construído, entre a modernidade dos carros e computadores e a tradição que aprisiona os personagens, se enfraquece.

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