SIRI-ARA

SIRI-ARA

(Siri-Ara)

2008 , 90 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Rosemberg Cariry

    Equipe técnica

    Roteiro: Rosemberg Cariry

    Produção: Petrus Cariry

    Fotografia: Pedro Urano

    Trilha Sonora: Liduíno Pitombeira

    Elenco

    Adilson Maghá, Erotilde Honório, Everaldo Pontes, Juliana Carvalho, Majô de Castro, Richele Viana

  • Crítica

    22/10/2009 14h23

    Dirigido pelo realizador cearense Rosemberg Cariry, Siri-Ara se propõe a acompanhar a viagem de um professor que, após um período dando aulas na França, resolve voltar ao sertão nordestino a fim de reencontrar sujas origens, tendo a ajuda de uma misteriosa índia. Em sua viagem repleta de delírios, o protagonista cruza com os guerreiros do reisado e os índios da banda de pífanos, grupos de folguedos dramáticos populares que vagam pelo sertão. Os conflitos entre o Reisado e a banda de pífanos nos remetem à tragédia fundadora do Ceará, quando Dom Pero Coelho, em 1603, em busca do Eldorado, encontra a guerra, a peste, a fome e a loucura. Mais ou menos como o protagonista do longa.

    Cariry constrói imagens de forte impacto visual. Calangos crucificados, simulação de estupro, os delírios do protagonista envolvendo bailarinos com movimentos animalescos em meio ao sertão... São imagens bem construídas, não há como negar, mas o ritmo pelo qual o longa é levado de forma extremamente lenta. A câmera sempre parada acompanha a ação, que se descortina em meio à aridez do sertão, comparado por um dos personagens ao inferno.

    A direção de arte e os figurinos são complexos, bem como a fotografia, que valoriza a luz estourada e a penumbra na noite do sertão. A falta de compromisso com o tempo - figuras antigas convivem com os tênis das crianças e os prédios ao fundo do mar - faz com que os delírios do protagonista sejam cada vez maiores na medida em que ele se aproxima da morte. Mas o texto excessivamente rebuscado faz com que a experiência de assistir aos 90 minutos de Siri-Ara exija força de vontade da platéia.

    Siri-Ara é fortemente influenciado pelos filmes de Glauber Rocha pelo sertão nordestino, como O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969). Um tipo de cinema que teve sua importância à sua época, mas acaba perdendo a força do discurso hoje em dia. O cinema evoluiu, os espectadores também.

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