SOB A AREIA

SOB A AREIA

(Sous le Sable)

2000 , 96 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • François Ozon

    Equipe técnica

    Roteiro: Emmanuelle Bernheim, François Ozon, Marcia Romano, Marina de Van

    Produção: Marc Missonnier, Olivier Delbosc

    Fotografia: Jean-Claude Moireau

    Trilha Sonora: Philippe Rombi

    Elenco

    Agathe Teyssier, Alexandra Stewart, Andrée Tainsy, Bruno Cremer, Charlotte Rampling, Damien Abbou, David Portugais, Fabienne Luchetti, Jacques Nolot, Jean-François Lapalus, Laurence Martin, Laurence Mercier, Maya Gaugler, Pierre Soubestre, Pierre Vernier

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Jean (Bruno Cremer) e Marie (Charlotte Rampling, de O Porteiro da Noite) formam um típico casal cinqüentão de classe média alta. Sem filhos, eles viajam até a praia sem imaginar que o pior está para acontecer: repentinamente, Jean desaparece, para o desespero da esposa. A cena é cruamente inquietante. Não há sequer um acorde musical. O silêncio incomoda. Também não há diálogos, mesmo porque Marie sequer tem com quem falar. A imensidão da praia deserta dá a dimensão da angústia. Por mais que se esforce, a vida de Marie nunca mais será a mesma.

    François Ozon, o mesmo diretor de Sitcom - Nossa Linda Família e Gotas d´Água Sobre Pedras Escaldantes -, desta vez deixa um pouco de lado o sarcasmo de suas metralhadoras giratórias para compor um belo painel sobre a solidão e a dificuldade de aceitação da perda. Com um estilo levíssimo, sutil, quase minimalista, Ozon lentamente envolve a platéia no drama de Marie, mulher que mergulha numa espécie de vida paralela, em que tenta com todas as suas forças negar o desaparecimento do marido. O grande mérito do roteiro é fazer com que o público vivencie as mesmas dúvidas da personagem principal: Teria Jean se afogado? Se suicidado? Ou simplesmente abandonou a esposa em busca de uma vida diferente? Esconder contas vencidas na gaveta ou apagar recados importantes da secretária eletrônica são alguns dos artifícios que Marie encontra para não encarar a situação. Um jogo de gato e rato contra ela mesma, em que só poderá haver perdedores. E sofrimento. Um belíssimo filme.

    18 de dezembro de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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