SOBERANO - SEIS VEZES SÃO PAULO

SOBERANO - SEIS VEZES SÃO PAULO

(Soberano - Seis Vezes São Paulo)

2009 ,

Gênero: Documentário

Estréia: 17/09/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Carlos Nader

    Equipe técnica

    Roteiro: Maurício Arruda

    Produção: Gustavo Ioshpe

    Fotografia: Luiz Miyasaka, Rodrigo Menck

    Trilha Sonora: Nando Reis

    Estúdio: G7 Cinema

    Distribuidora: G7 Cinema

  • Crítica

    16/09/2010 09h10

    Antes de qualquer papo, uma observação: sou corinthiano, e fanático. Mas, acima de tudo, apaixonado por futebol, sua arte, beleza e ludismo. Isso quer dizer que comemoro, sim, e muito, os títulos do meu Timão, mas de maneira alguma isso impede de reconhecer os méritos de outros clubes. Sendo assim, vamos a Soberano – Seis Vezes São Paulo, filme que relembra emoções e acontecimentos do hexacampeão brasileiro (1977/86/91/06/07/08).

    Assim como nos outros documentários recentes sobre partidas dramáticas (23 Anos em 7 Segundos e Inacreditável – A Batalha dos Aflitos), paixão da torcida (Fiel), conquistas (Gigante e 1983: O Ano Azul) ou que repassam a história de um clube (Todo Poderoso: O Filme), a emoção é a matéria-prima. No caso de Soberano – Seis Vezes São Paulo não é diferente: os torcedores e suas histórias mirabolantes alinhavam o filme.

    Por trás desse filme temos um roteirista experiente em TV e cinema, Maurício Arruda (Quatro por Quatro, O Contador de Histórias), e um diretor/ensaísta, Carlos Nader, que realizou um dos melhores documentários da última década, Pan-Cinema Permanente.

    É fácil identificar a curva dramática do roteiro (provavelmente contribuição de Arruda), mas difícil de perceber o potencial criativo e imagético de Nader nesse filme. Claro que a proposta do documentário são-paulino é lidar com emoções de torcedor e contar histórias de cada um dos seis títulos, diferente de trabalhar com um personagem como Wally Salomão, cuja poesia fica na fronteira do sonho com a realidade.

    Soberano – Seis Vezes São Paulo é demasiadamente concreto, talvez pelo gancho que justifica sua existência (seis títulos do Brasileirão e o tri-campeonato consecutivo). Assim como seus primos cinematográficos, o documentário sobrevive pelo trabalho de pesquisa dos personagens e na montagem.

    Temos momentos criativos da edição, nos quais ela entrega totalmente ao torcedor o papel de narrador. Um depoimento é imediatamente sucedido pelas imagens que o ilustram. Nesses bons momentos, parecem desaparecer as figuras dos diretores e do montador. O torcedor toma conta da armação e é responsável pelos gols do filme.

    Falando em gols, são muitos, viu? Para o torcedor mais velho que assistiu à inesperada conquista de 77 sobre o favorito Atlético Mineiro, tem até Waldir Peres dando tapinha no bumbum do cobrador de pênaltis para desestabilizá-lo. Para os trintões, não faltam imagens do dramático título de 86 sobre o Guarani ou do primeiro Tri em 91, contra o Bragantino. Para a molecada que cresceu com a internet, protagonistas do Tri consecutivo (2006/07/08) como Rogério, Muricy Ramalho e Hernanes relembram as diferenças de cada ano.

    Além das características específicas de cada time, torcida e tradição (o caráter sofredor dos corinthianos ou o regionalismo de colorados e gremistas), há uma diferença de Soberano – Seis Vezes São Paulo para os outros documentários futebolísticos (a maioria produzida e distribuída pela G7 Cinema): a função paterna na escolha do time de coração.

    A influência é normal para todos os torcedores, mas o documentário sobre os títulos são-paulinos é o único a explorar devidamente essa característica. Sobram torcedores contando causos.

    O dado curioso é o lançamento do filme ocorrer num momento em que o São Paulo já não é mais soberano no Campeonato Brasileiro e ainda busca iniciar uma nova fase após o fim da Era Muricy. Torcedores, sem fanatismo, por favor, pois não se trata de uma insinuação de que o time tornou-se menor, mas pensar a longo prazo: o Tricolor vai entrar num jejum de títulos semelhante ao da década de 90 e meados dos anos 2000? Uma questão para o futuro responder.

    Voltando ao documentário, Soberano – Seis Vezes São Paulo é acima de tudo um filme sobre a emoção de ser torcedor e, como tal, não falha. Até mesmo quem não é são-paulino, mas vive o futebol no peito, vai dialogar com o filme. Mesmo no caso de quem teve de assisti-lo no ano em que meu time, o Corinthians, tornou-se centenário. É... vida de crítico de cinema nem sempre é fácil.

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