SOBRE PAIS E FILHOS/ A GUERRA DOS WINTERS

SOBRE PAIS E FILHOS/ A GUERRA DOS WINTERS

(Winter Solstice)

2004 ,

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Josh Sternfeld

    Equipe técnica

    Roteiro: Josh Sternfeld

    Produção: Doug Bernheim, John Limotte

    Fotografia: Harlan Bosmajian

    Trilha Sonora: John Leventhal

    Estúdio: Sound Pictures

    Elenco

    Aaron Stanford, Allison Janney, Anthony LaPaglia, Brendan Sexton III, Ebon Moss-Bachrach, Mark Webber, Michelle Monaghan, Ron Livingston

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Não é exatamente uma grande novidade mas, pensando bem, qual filme é? Mesmo abordando um tema já explorado várias vezes pelo cinema americano independente, Sobre Pais e Filhos (tradução bobinha para Winter Solstice, que seria "Solstício de Inverno") é um belo trabalho sobre a incomunicabilidade entre as famílias, o tédio e a falta de perspectiva de vida nas pequenas e áridas (sentimentalmente falando) cidades do interior. Nada que não tenha sido abordado antes em A Última Sessão de Cinema e Loucuras de Verão, só para citar dois exemplo, mas também nada que tire os méritos deste belo e sensível filme.

    A trama enfoca a família Winter, nome que remete ao título original, formada pelo pai Jim (Anthony La Paglia, também produtor do filme), o filho mais velho Gabe (Aaron Stanford, o Pyro de X-Men) e o caçula Pete (Mark Webber, que esteve em Querida Wendy e Flores Partidas). Jim toca sozinho uma pequena empresa de jardinagem e paisagismo, Gabe é um funcionário de pouca ou nenhuma qualificação, enquanto Pete estuda. Ou tenta. Existe entre três uma tensão muda, um abismo emocional, um ar de intenso desconforto e descontentamento que o roteiro tratará de explicar mais tarde.

    A cidade onde eles moram é pequena, fria, pálida, características muito bem acentuadas pela direção de fotografia. O mundo gira em volta de uma tosca loja de conveniência. Nada acontece. O violão tristonho da trilha original de John Leventhal sublinha a solidão. Lentamente, o roteiro apresenta personagens coadjuvantes que poderiam - numa narrativa tradicional - desencadear alguns conflitos: a namorada de Gabe, o colega que briga com Pete no estacionamento da loja de conveniência, a nova vizinha que se muda para a mesma rua, o professor de História. Repito, personagens que poderiam desencadear conflitos num filme de narrativa convencional. Não aqui.

    Em determinada cena, o pai diz que mais difícil que fazer um belo jardim é cuidar de sua manutenção, já que as "plantas se deterioram muito rapidamente". As plantas e as famílias. Sobre Pais e Filhos aposta na imobilidade para passar seu recado de... Imobilidade. Pessoas que não se conversam, pais e filhos que moram juntos mas não se conhecem, vidas que não vivem. Para quem estiver disposto a passar uma hora e meia dentro de um cinema e pensar abertamente sobre a vida, é um belo programa. Já quem prefere histórias que se fecham, se completam e se explicam, não vai gostar.

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