SOLARIS (2002)

SOLARIS (2002)

(Solaris)

2002 , 99 MIN.

14 anos

Gênero: Ficção Científica

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Steven Soderbergh

    Equipe técnica

    Roteiro: Steven Soderbergh

    Produção: James Cameron, Jon Landau, Rae Sanchini

    Fotografia: Steven Soderbergh

    Trilha Sonora: Cliff Martinez

    Estúdio: Lightstorm Entertainment, Twentieth Century Fox Film Corporation

    Elenco

    Donna Kimball, Elpidia Carrillo, George Clooney, Jeremy Davies, John Cho, Kent Faulcon, Lauren Cohn, Michael Ensign, Morgan Rusler, Natascha McElhone, Shane Skelton, Tony Clemons, Ulrich Tukur, Viola Davis

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Nos últimos anos, o termo "ficção científica" sofreu um certo processo de desgaste: qualquer aventura ambientada no futuro passou a ser rotulada de ficção científica, mesmo quando o lado "científico" do filme era apenas um figurino futurista ou uma pistola laser. Agora, o diretor Steve Soderbergh (o mesmo de Traffic e Onze Homens e um Segredo) resgata o verdadeiro significado da expressão com seu novo filme, Solaris.

    O livro original escrito pelo ucraniano Stanislaw Lem já havia sido adaptado para o cinema pelo russo Andrei Tarkovsky, em 1972. Tratava-se de um filme extremamente lento, difícil, introspectivo ao extremo em suas mais de duas horas e meia de projeção. Nesta releitura americana, a trama foi "enxugada" para menos de 100 minutos, o visual ganhou um caprichado desenho de produção de Phillip Messina (também de Traffic e Onze Homens e um Segredo) e o papel principal foi dado a George Clooney, amigo e sócio de Soderbergh. A boa notícia: o clima e o conteúdo puramente de ficção científica foram preservados.

    Tudo começa quando o médico psiquiatra Chris Kelvin (Clooney) é chamado às pressas para verificar estranhos acontecimentos numa base espacial que órbita em torno do planeta Solaris. Lá chegando, se depara com um grande mistério. Parte da tripulação está morta, quem sobreviveu não quer falar e - o mais intrigante - um garoto que sequer havia embarcado está misteriosamente presente na espaçonave. Esqueça Alien (todos eles), O Enigma do Espaço, Esfera e similares. Solaris não é aventura, não é terror, não é corre-corre. É uma verdadeira ficção científica feita para ser pensada. Tanto que foi um fracasso nos "United States of Saco de Pipoca", onde faturou apenas US$ 15 milhões nas bilheterias (custou US$ 47 milhões).

    Envolvente e intrigante, a trama carrega fortes doses de psicologia, confrontando o herói contra seus próprios medos, explorando o tema da "segunda chance' e usando e abusando dos conceitos psicológicos de projeção e medo. Tudo dirigido de maneira extremamente sóbria e cadenciada pelo ótimo Soderbergh, que a cada filme prova ser um dos cineastas mais versáteis da atualidade.

    Produzido por James Cameron, diretor de Titanic, Solaris chegou a receber a classificação "R" (impróprio para menores) da censura americana por causa das (totalmente lights) cenas de amor entre Clooney e Natascha McElhone. Soderbergh apelou argumentando que nada do que o filme mostra não possa ser visto em qualquer emissora de TV. Ganhou. Ganhou também o cinema, com um filme adulto, profundo e que convida a platéia a exercer uma atividade cada vez mais rara hoje em dia: pensar.

    26 de março de 2003.

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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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