SOMBRAS DE GOYA

SOMBRAS DE GOYA

(Goya's Ghosts)

2006 , 118 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 25/12/2007

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Milos Forman

    Equipe técnica

    Roteiro: Jean-Claude Carrière, Milos Forman

    Produção: Saul Zaentz

    Fotografia: Javier Aguirresarobe

    Trilha Sonora: José Nieto, Varhan Bauer

    Estúdio: The Saul Zaentz Company

    Distribuidora: Flashstar Filmes

    Elenco

    Blanca Portillo, Javier Bardem, José Luis Gómez, Mabel Rivera, Michael Lonsdale, Natalie Portman, Randy Quaid, Stellan Skarsgård

  • Crítica

    25/12/2007 00h00

    Poucos cineastas conseguem ser ao mesmo tempo tão geniais e bissextos como o tcheco Milos Forman. Em seus 46 anos de carreira, ele dirigiu apenas 15 longas (um a cada três anos), mas entre eles estão preciosidades como Um Estranho no Ninho, Hair, Na Época do Ragtime, Amadeus e O Povo Contra Larry Flynt, por exemplo. Entre o Oscar, o Bafta, o Leão de Ouro de Veneza, o Urso de Ouro em Berlim, o César, o David di Donatello e o Globo de Ouro, Forman ganhou todos. Falta a Palma de Ouro de Cannes, festival onde ele só levou o Prêmio Especial do Júri. Por enquanto.

    Agora, sete anos depois de seu último longa (O Mundo de Andy, com Jim Carrey), o cineasta apresenta mais um trabalho de altíssima competência: Sombras de Goya, filme no qual retoma parceria com o escritor e roteirista francês Jean-Claude Carrière, com quem já havia feito Valmont e Procura Insaciável.

    Produzido por Estados Unidos e Espanha, Sombras de Goya aponta suas metralhadoras do inconformismo contra os abusos de poder daqueles que se julgam acima da lei e da humanidade. Em qualquer tempo. Para isso, opta por estabelecer sua trama nos porões da Inquisição espanhola, em 1792. É nesta época que o padre católico Lorenzo (Javier Bardem, de Mar Adentro) convence seus superiores que é necessário recrudescer ainda mais as práticas de interrogatórios e torturas contra os "infiéis". Para ele, a sociedade vive em estado de degradação porque a Igreja Católica tem mandado pouca gente para a fogueira nos últimos anos. Lorenzo escolhe como um de seus bodes expiatórios a bela jovem Inês (Natalie Portman, de Closer - Perto Demais e V de Vingança), filha de um poderoso nobre local e também musa das pinturas do grande artista Francisco Goya (o sueco Stellan Skarsgard, o Bill Turner de Piratas do Caribe), pintor oficial da corte. A garota é cruelmente presa e torturada, sob a acusação de ter recusado um prato de porco durante uma festa, o que a tornaria, automaticamente, uma judia - vale lembrar que os pais de Milos Forman morreram num campo de concentração nazista. Tem início, assim, uma série de mandos e desmandos desmedidos e brutais atrocidades cometidas em nome da religião. Para o desespero da família de Inês e a perplexidade de Goya.

    No decorrer do tempo, o poder muda de mãos algumas vezes, mas as injustiças e a barbárie permanecem, invertendo-se apenas os lados da moeda. Seria esta a grande maldição da raça humana? Usar e abusar da violência repressiva e do poder político, independente de credo, raça, religião ou tempo?

    O tema é investigado por Forman por meio dos olhos e da sensibilidade de Goya, resultando num filme vigoroso, apaixonante e de excelente ritmo narrativo. Certamente soa estranho aos ouvidos acompanhar toda esta vibrante saga espanhola - filmada totalmente na Espanha - com todos os atores falando inglês. Inclusive os espanhóis. Assim como é no mínimo esquisito ver o texano Randy Quaid fazendo o papel do Rei Carlos IV. Mas são os preços da globalização. Mesmo assim, o resultado final de Sombras de Goya é dos mais compensadores. Valeu a pena esperar sete anos por mais um legítimo Forman.

    Ironicamente, Sombras de Goya não levou nenhum prêmio Goya, considerado o Oscar espanhol. Foi indicado em três categorias técnico-visuais da premiação, mas não vingou em nenhuma delas. Fracassou nas bilheterias dos EUA (onde não chegou a faturar US$ 1 milhão, mesmo sendo falado em inglês), mas levou mais de 2 milhões de espanhóis aos cinemas, onde os filmes costumam ser dublados para o idioma pátrio.

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