SONHOS TROPICAIS

SONHOS TROPICAIS

(Sonhos Tropicais)

2001 ,

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • André Sturm

    Equipe técnica

    Roteiro: Fernando Bonassi, Victor Navas

    Fotografia: Jacó Solitrenick

    Estúdio: Pandora

    Elenco

    Antônio Pedro, Antônio Petrin, Bruno Giordano, Bukassa Kabengele, Carolina Kasting, Cecil Thiré, Celso Frateschi, Cláudio Mamberti, Flávio Galvão, Hugo Carvana, Ingra Liberato, José Lewgoy, Lu Grimaldi, Rubens de Falco, Virginia Buckowski

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Como já diz o cartaz de Sonhos Tropicais, o filme mostra duas situações em paralelo: “Ela veio em busca de um sonho. Ele voltou para transformar o seu em realidade.” “Ela”, no caso, é a jovem polonesa Esther (Carolina Kasting, numa boa estréia cinematográfica), que desembarca no Rio de Janeiro de 1899 na ilusão de “fazer a América”. No mesmo dia se torna prostituta. E “ele” é o famoso médico sanitarista Oswaldo Cruz que, após concluir seus estudos em Paris, chega no mesmo Rio de Janeiro disposto a limpar a cidade da febre amarela e da varíola. Cada um a seu modo, Esther e Oswaldo vão comer o pão que o descaso político amassou antes de conseguirem realizar os seus sonhos. Se é que vão conseguir.

    Misturando personagens reais com fictícios, Sonhos Tropicais avisa, em seus letreiros finais, que todos os episódios narrados no filme são historicamente verdadeiros. “Até os inventados”, arremata com ironia.

    Ainda que bem produzido, Sonhos Tropicais sofre de um dos grandes males do cinema brasileiro de todos os tempos, presente principalmente nos filmes de época: o tom discursivo, quase teatral da narrativa. Algumas marcações de cena caberiam bem melhor no palco que na tela. Há diálogos com excesso de didatismo e atores de talento indiscutível, mas que transparecem estar sempre interpretando falas e não encarnando personagens reais. Casos de Cecil Thiré e Flávio Galvão, para citar apenas dois exemplos. Falando em personagens, eles proliferam em excesso, nem todos com função definida dentro do roteiro.

    O filme utiliza duas boas ferramentas para dar os contrapontos históricos e até cômicos necessários à trama. O primeiro – lembrando Na Época do Ragtime, de Milos Formam, ou mesmo Cidadão Kane – é a simulação de trechos de antigos cinejornais que aqui e ali situam o espectador no contexto da História.

    E o segundo é a presença de três simpáticos velhinhos (José Lewgoy, Hugo Carvana e Antonio Pedro) que, sem jamais sair da tradicional Confeitaria Colombo, criticam a tudo e a todos com impagável sarcasmo. São deles os melhores momentos do filme.

    A direção do estreante André Sturm não chega a empolgar, mas mesmo assim Sonhos Tropicais mostra um retrato honesto de um período importante da História do Brasil. Um período de injustiças sociais, miséria, ignorância e conchavos políticos que parecem nunca ter fim.

    22 de abril de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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