SOY CUBA, O MAMUTE SIBERIANO

SOY CUBA, O MAMUTE SIBERIANO

(Soy Cuba, O Mamute Siberiano)

2004 , 90 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Vicente Ferraz

    Equipe técnica

    Roteiro: Vicente Ferraz

    Produção: Isabel Marinez

    Fotografia: Tareq Daoud, Vicente Ferraz

    Trilha Sonora: Jenny Padrón

    Estúdio: Cinema Tropical

    Elenco

    Aleksandr Kaltsatyj, Alfredo Guevara, Enrique Pineda Barnet, Luz María Collazo, Salvador Wood, Sergio Corrieri

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Soy Cuba - O Mamute Siberiano, documentário dirigido por Vicente Ferraz, é um filme sobre outro filme. O longa-metragem, premiado no último Festival de Cinema de Gramado, investiga os meandros sobre a produção e lançamento de Soy Cuba, dirigido em 1964 pelo russo Mikheil Kalatozishvili. Tendo como base uma Cuba pós-revolução, o filme foi muito mal recebido na época de seu lançamento, tanto pelos cubanos quanto pelos russos, por retratar de uma forma fria a cultura cubana. Produzido com o intuito de ser uma propaganda comunista partindo dos acontecimentos revolucionários no país de Fidel Castro, Soy Cuba acabou sendo esquecido durante 30 anos, até que Martin Scorcese e Francis Ford Coppola o descobriram, lançando-o fora dos países onde foi exibido na época. Hoje, a primeira co-produção entre Cuba e a extinta União Soviética tem status de cult graças ao envolvimento dos dois cineastas norte-americanos neste relançamento.

    Narrado em primeira pessoa, Soy Cuba - O Mamute Siberiano mistura imagens dos bastidores das filmagens, depoimentos de alguns envolvidos na produção e cenas marcantes de Soy Cuba como parte da investigação de um atípico fenômeno cultural. Atípico porque a grandiosa produção de 1964 consumiu dois anos de trabalho e, apesar de ser considerado, hoje, referência na arte cinematográfica, foi muito mal recebido por não conseguir passar aos espectadores, na época, todos os sentimentos e emoções sentidas em Cuba. Finada a divisão bipolar do mundo entre capitalismo e comunismo, a película é avaliada com outros olhos. Não os revolucionários, mas os que apreciam cinema como arte e, quanto a isso, Soy Cuba tem seu valor atemporal.

    Uma das coisas curiosas em Soy Cuba - O Mamute Siberiano é quando alguns cubanos envolvidos na produção, ao mesmo tempo em que falam à câmera com ar de desaprovação quando se trata de Soy Cuba, surpreendem-se e constroem depoimentos contraditórios quando ficam sabendo que a produção foi relançada e goza de prestígio entre cinéfilos. Dessa forma, o documentário de Vicente Ferraz não se trata somente da arte cinematográfica, mas, também, da colonização cultural em dois momentos: na década de 60, quando profissionais da União Soviética foram rodar um filme em uma Cuba deslumbrada com as teorias comunistas; e hoje, quando Soy Cuba - um longa ignorado e criticado à sua época - é redescoberto por norte-americanos.

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