Críticas

Veja o que esperar das novidades nas telonas e estreias com os comentários da nossa equipe especializada.

STAR WARS: O DESPERTAR DA FORÇA

(Star Wars: The Force Awakens, 2015)

Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela inativa
16/12/2015 16h30
por Daniel Reininger

J.J. Abrams conseguiu! O Despertar Da Força é o melhor Star Wars desde O Império Contra-ataca, lançado em 1980. A diferença absurda de tom em relação aos fracos prólogos (99 a 2005) é percebida logo nas primeiras cenas, mas é o ritmo de aventura típica da trilogia clássica (77 a 83) que conquista os fãs mais antigos e deve arrebatar membros das gerações mais jovens, muitos dos quais nunca tiveram o prazer de assistir a um bom filme da série. Melhor, o longa resgata a magia que faz da saga algo tão especial.

A franquia dispensa apresentações, afinal é um dos ícones da cultura pop; e há 38 anos une gerações pela paixão comum à obra criada por George Lucas. O novo filme se passa 30 anos após o término da trilogia original, O Retorno De Jedi, e volta a mostrar a galáxia num novo período de guerra civil. A Nova República não conseguiu unir a galáxia e a Primeira Ordem surgiu das cinzas do Império. A única força realmente capaz de enfrentar a nova ameaça é a Resistência.

O Despertar da Força remete muito aos filmes clássicos, como o produtor Bryan Burk revelou ao Cineclick durante sua visita a São Paulo. Com elementos vistos em Uma Nova Esperança e O Império Contra-ataca, apresenta momentos sombrios, a jornada do herói, revelações e dramas pessoais. E era isso que os fãs esperavam ver há mais de 30 anos.

J.J. mostra capacidade na direção e sabe conduzir as cenas dramáticas e de combate muito bem. O equilíbrio entre novos personagens e velhos conhecidos funciona e os acontecimentos tem objetivo narrativo. Talvez o mais importante fator do sucesso da trilogia original é visto aqui: a simplicidade da trama na medida certa, capaz de girar em torno de apenas uma questão central, sem exagerar em situações paralelas e personagens desnecessários.

Nada mais justo quando se tem grandes protagonistas. Rey (Daisy Ridley) é o destaque. Bem construída, com questões profundas que vão além do imediatismo da situação, mistérios a serem revelados e uma força de vontade absurda, ela é uma verdadeira badass. Finn (John Boyega) é destemido, possui senso de justiça aflorado e se mostra muito leal aos amigos. Já Poe Dameron (Oscar Isaac) é bastante interessante, mas poderia ter mais tempo de tela, afinal sua personalidade talvez seja a mais divertida dos três. Pena vê-lo ser mal aproveitado.

Han Solo, Leia Organa e Chewbacca estão de volta pra valer. Harrison Ford pode ter reclamado de voltar à franquia, algo que jurava que não faria, mas ele é Han Solo – simples assim. Leia amadureceu, passou por muita coisa e isso está no olhar da personagem, mas a sagacidade da princesa (agora general) ainda está lá. E Chewie, bem, o que falar desse ser peludo que encanta crianças e adultos há gerações? Groot, de Guardiões Da Galáxia, não existiria se não fosse por Chewie.

+ Confira nosso especial sobre o filme

Claro que tecnicamente o Despertar da Força é o Star Wars que todos esperavam. É espetacular ver as naves espaciais mais famosas da franquia recriadas com tecnologia atual, em lutas tão inspiradas quando as de Uma Nova Esperança. Stormtroopers que, de fato, acertam seus alvos e forças militares treinadas, com disciplina também na hora do combate. Interessante ver também que J.J. segura a onda e não exagera nos reflexos de lente.

Entretanto, nenhum filme é perfeito, mas discutir os problemas aqui seria revelar spoilers que ninguém quer saber a essa altura do campeonato. Basta dizer que a produção perde um pouco de ritmo na segunda metade, usa elementos demais dos filmes originais, que, por vezes, passam do ponto do necessário e se tornam exageros (ou até falta de criatividade) e alguns atalhos narrativos ficam sem explicação e poderiam ter sido mais bem desenvolvidos.

E se visualmente o longa é incrível, a trilha sonora de John Williams deixa a desejar. A reciclagem de temas antigos já era algo esperado, e até algo obrigatório para os fãs, o problema é a forma como as músicas foram subutilizadas. A franquia sempre teve seus principais momentos marcados por grandes composições, algo que J.J. não soube aproveitar como Lucas faria. Com isso, várias situações que pediam algo épico tocando, acabavam com algo de menor impacto ou até sem trilha. É uma característica da franquia que parece ter sido deixada de lado.

Se nesses pontos deixa a desejar, Abrams parece compensar em muitos outros. O diretor sabe que ninguém quer se aprofundar demais nas questões políticas do conflito espacial, o que importa é a emoção e a aventura. Além disso, outro fator importante da franquia foi respeitado: os vilões são maus e intimidam. O ambicioso General Hux (Domhnall Gleeson) lembra o Comandante Tarkin mais jovem, Kylo Ren é um grande antagonista, humanizado por meio de seu conflito interno e grande atuação de Adam Driver.

Não há dúvidas: O Despertar Da Força funciona sim como um reboot, apesar de nunca ser chamado assim e ser apresentado como Episódio VII. Afinal, assim como Mad Max: Estrada Da Fúria, o longa é capaz de respeitar o legado e ainda assim mudar paradigmas para criar algo totalmente novo, capaz de conquistar novos públicos. O novo Star Wars é um grande filme, que respeita os fãs, sem deixar de pensar no futuro.

Por sinal, a cena final é para fazer muito marmanjo chorar enquanto deixa inúmeras possibilidades abertas para as duas sequências já anunciadas.

CRÍTICAS RELACIONADAS

STAR WARS: EPISÓDIO III - A VINGANÇA DOS SITH
STAR WARS: EPISÓDIO II - O ATAQUE DOS CLONES
STAR WARS: EPISÓDIO I - A AMEAÇA FANTASMA
EX MACHINA
GUARDIÕES DA GALÁXIA
OS VINGADORES - THE AVENGERS
ALÉM DA ESCURIDÃO - STAR TREK
MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA

Daniel Reininger

Daniel Reininger

Editor-Chefe

Fã de cultura pop, gamer e crítico de cinema, é o Editor-Chefe do Cineclick.

FAVORITAR

crítica NÃO FAVORITADA

COMPARTILHE:

COMENTAR

comments powered by Disqus