SUNSHINE - O DESPERTAR DE UM SÉCULO

SUNSHINE - O DESPERTAR DE UM SÉCULO

(Sunshine)

1999 , 180 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • István Szabó

    Equipe técnica

    Roteiro: Israel Horovitz, István Szabó

    Produção: András Hámori, Robert Lantos

    Fotografia: Lajos Koltai

    Trilha Sonora: Maurice Jarre

    Elenco

    Deborah Kara Unger, James Frain, Jennifer Ehle, John Neville, Molly Parker, Rachel Weisz, Ralph Fiennes, Rosemary Harris, William Hurt

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    São exatamente três horas de projeção. Mas cada minuto vale a pena. Após três anos sem filmar, o consagrado cineasta húngaro István Szabó (vencedor de quatro prêmios em Cannes, dois em Berlim e um Oscar de filme estrangeiro por Mephisto) retorna em grande estilo com o épico Sunshine – O Despertar de um Século, uma co-produção entre Áustria, Alemanha, Canadá e Hungria.

    A história mostra a saga da fictícia família Sonnenschein, judeus-húngaros que viveram momentos da mais destacada glória e da mais triste miséria, diante das radicais transformações políticas e sociais que abalaram a Hungria nas últimas décadas. Acima de tudo, trata-se de um trabalho de fôlego, já que o roteiro (também assinado por Szabó) se propõe a contar quase 200 anos de história.

    São tantos os subtextos e personagens que se torna praticamente impossível condensar, em poucas linhas, algum tipo de sinopse ou resumo da trama. Tampouco é necessário. Para dar uma idéia da riqueza e diversidade das situações enfocadas pelo filme, basta lembrar que os destinos dos Sonnenschein (e, claro, de tantas outras famílias similares) foram definitivamente alterados por fatores históricos de grande porte, como a divisão do império Austro-Húngaro, as duas guerras mundiais, o terror do nazismo, o domínio comunista e a derrocada da União Soviética. Todo este pano de fundo histórico é retratado com arte e precisão no filme de Szabó, seja por meio de uma excelente reconstituição de época, seja por meio da eficiente utilização de imagens de arquivo.

    Um diretor menos experiente com certeza se perderia pelos intrincados meandros das dezenas de personagens. Szabó, não. Com maestria artesanal, ele desenha cada pai, cada filho, cada mãe e cada amigo com cores próprias. Aprofunda (ou não) cada protagonista na medida certa, sabe como dividir apropriadamente os diferentes períodos históricos e ainda esbanja talento na difícil arte de manter o interesse da platéia durante três horas. E mais: o diretor se dá ao luxo de usar um mesmo ator (Ralph Fiennes, de O Paciente Inglês) para três diferentes personagens, em três diferentes períodos.

    Há, porém, um custo: narrar quase 200 anos em apenas 180 minutos acaba dando ao filme, em vários momentos, um certo ar de minissérie de televisão, com planos fechados e rápidos desfechos. Mas isso não tira, em absoluto, os méritos deste grandioso trabalho.

    Produzido em 1999, Sunshine recebeu várias premiações importantes, entre elas, as de Melhor Filme, Melhor Ator (Ralph Fiennes), Melhor Roteiro (Israel Horovitz e István Szabó) e Melhor Fotografia no Grande Prêmio de Cinema Europeu. Injustamente, foi esquecido pelo Oscar.

    2 de julho de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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