Pôster do filme Sem Dor, Sem Ganho

SEM DOR, SEM GANHO

(Pain and Gain)

2013 , 129 MIN.

18 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 23/08/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Michael Bay

    Equipe técnica

    Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely

    Produção: Donald De Line, Ian Bryce, Michael Bay

    Fotografia: Ben Seresin

    Trilha Sonora: Steve Jablonsky

    Estúdio: Platinum Dunes

    Montador: Joel Negron, Tom Muldoon

    Distribuidora: Paramount Pictures Brasil

    Elenco

    Anthony Mackie, Bar Paly, Dwayne Johnson, Ed Harris, Emily Rutherfurd, Keili Lefkovitz, Ken Jeong, Larry Hankin, Mark Wahlberg, Michael Rispoli, Peter Stormare, Rebel Wilson, Rob Corddry, Tony Plana, Tony Shalhoub

  • Crítica

    21/08/2013 17h00

    A primeira meia hora de Sem Dor, Sem Ganho chega a enganar. Por um momento temos a sensação de que o diretor Michael Bay (Transformers) vai surpreender e provar que aprendeu alguma coisa de direção de tanto errar. A promessa, no entanto, não se cumpre. Em dado momento começa a perder as rédeas do filme e volta a ser o velho e conhecido Michael Bay, cineasta de cujo dicionário não constam palavras como sutileza, harmonia e equilíbrio.

    Sem Dor, Sem Ganho é a dramatização sensacionalista de uma história verdadeira, ocorrida na década de 90, quando um grupo de marombados resolveu ir atrás do sonho americano cometendo crimes em série. Idiotas musculosos liderados por Daniel Lugo (Michael Wahlberg), personal trainer de uma academia na Flórida com obsessão por forma física e, claro, dinheiro. O humor que permeia o filme, sustentado no bizarro das situações, é perfeitamente adequado tendo em vista o nonsense da história e a patetice do trio de criminosos.

    O problema é que Michael Bay não é um dos irmãos Coen, capazes de dosar humor e violência em histórias sobre criminosos parvos metendo os pés pelas mãos. Em dado momento, Sem Dor, Sem Ganho deixa o tom de brincadeira e passa a ser dominado por uma abundância de violência desnecessária e excessiva que entra frontalmente em choque com o que havia sido mostrado até então. Isso mina toda e qualquer boa vontade do público com os protagonistas e, a longo prazo, com o filme.

    O incompreensível é que Bay parece completamente convencido de que poderia manter o lúdico do filme, mesmo quando entram em cena serras elétricas, amputações, crânios esmagados e Dwayne Johnson fazendo churrasco de mãos humanas enquanto vaga pelo filme alucinado de cocaína e levando a tiracolo o próprio dedo decepado por um tiro. Não tem graça, até porque sabemos que os crimes de fato aconteceram, mas Bay é incapaz de perceber isso.

    De repente, o que parecia ter potencial para tornar-se o melhor longa da carreira do diretor vira apenas mais um filme irregular e exagerado de Michael Bay. Mesmo que o elenco - que inclui ainda Tony Shalhoub, Ed Harris e Anthony Mackie - renda a contento, algo incomum em seus filmes. Vale ressaltar que nem o roteiro nem os muitos truques de câmera de Bay tentam, em nenhum momento, glamourizar os idiotas, apenas destacar sua visão de mundo equivocada. Mas o fazem de forma tacanha.

    A trama de Sem Dor, Sem Ganho dava a chance a Michael Bay de fugir de seu lugar-comum cinematográfico, que são filmes cheios de estilo e pouca substância. A história de um trio de homens musculosos, narcisistas e acéfalos - mas que se consideram gênios do crime – carrega um sem número de possibilidades de abordagem e reflexão sobre a sociedade de consumo, culto ao corpo, hedonismo, etc. Mas, infelizmente, o cineasta da mão pesada a reduziu a uma fita de ação de violência excessiva, estupidez excessiva, histórias excessivas e subtramas irrelevantes. Muita dor e pouco ganho.

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