SUPER 8

SUPER 8

(Super 8)

2011 , 112 MIN.

12 anos

Gênero: Ficção Científica

Estréia: 12/08/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • J.J. Abrams

    Equipe técnica

    Roteiro: J.J. Abrams

    Produção: Bryan Burk, J.J. Abrams, Steven Spielberg

    Fotografia: Larry Fong

    Trilha Sonora: Michael Giacchino

    Estúdio: Amblin Entertainment, Bad Robot, Paramount Pictures

    Distribuidora: Paramount Pictures Brasil

    Elenco

    Amanda Foreman, Amanda Michalka, Andrew Miller, Beau Knapp, Ben Gavin, Bingo O'Malley, Brett Rice, Britt Flatmo, Bruce Greenwood, Caitriona Balfe, Dale Dickey, Dan Castellaneta, David Gallagher, Elle Fanning, Emerson Brooks, Gabriel Basso, Glynn Turman, Greg Grunberg, Jack Axelrod, Jade Griffiths, Jakob Miller, James Hébert, Jason Brooks, Jay Scully, Jessica Tuck, Joel Courtney, Joel McKinnon Miller, Jonathan Dixon, Kate Yerves, Katie Lowes, Koa Melvin, Kyle Chandler, Marco Sanchez, Michael Giacchino, Michael Hitchcock, Noah Emmerich, Patrick St. Esprit, Richard T. Jones, Riley Griffiths, Robert B. Quiroz, Ron Eldard, Ryan Lee, Teri Clark, Thomas F. Duffy, Tim Griffin, Tom Quinn, Tom Williams, Tony Guma, Zach Mills

  • Crítica

    09/08/2011 16h15

    Com direção assinada por J.J. Abrams, Super 8 traz muito do entendimento de cinema de seu principal produtor, Steven Spielberg: um entretenimento digno que não decide anular as possibilidades do filme permanecer no imaginário do espectador um pouco mais após o final dos créditos. No mar medíocre que caracteriza a produção americana recente, ver um filme que não se esgota na última pipoca mastigada ou no derradeiro refrigerante sorvido é motivo para festa.

    Se fosse um filme de Michael Bay, as explosões e a tecnologia seriam as protagonistas. O monstro que assusta os pré-adolescentes duma pequenina cidade de Ohio, seria explicitado, mostrado em primeiríssimos planos, em close-up. O animal seria mais humano que os próprios seres humanos. Que bom que Super 8 não parou no colo do diretor de Transformers, o senhor Pirotecnia.

    A diferença nesses dois tipos de cinema está no que se privilegia. Por isso Super 8 coloca as explosões em segundo plano. Num cenário de ficção científica, já que estranhos eventos acometem a comunidade, o que importa é a jornada humana que lida com o inexplicável. Tem algo mais “spielbergiano” do que isso?

    Como indica o título, o fazer cinematográfico é peça-chave neste filme, ambientado em 1979. A título de curiosidade, ano em que Spielberg lançara 1941 – Uma Guerra Muito Louca, na qual personagens histéricos se preparam para uma suposta invasão japonesa, e dois anos depois de Contatos Imediatos de Terceiro Grau, quando o realizador lida com criaturas não-terrestres. Mas chega de falar do Spielberg.

    Nesse cenário do enredo escrito por J.J. Abrams, seis amigos entram na adolescência compartilhando a convivência diária, comandados por Charles (Riley Griffiths), o gordinho que dirige um filme de zumbis rodado justamente em super-8, bitola que naquele momento estava em extinção.

    Curioso observar que, enquanto lá o super-8 era brinquedo na mão de moleques curtindo a ociosidade da pós-infância, no Brasil foi arma para os cineastas anarquistas botarem para quebrar, de Jomard Muniz de Britto a Edgar Navarro, de José Agrippino a Jairo Ferreira. Lá, o desejo juvenil de brincar, enquanto cá, o frisson adulto de arrebentar.

    Na noite em que vão filmar a despedida do casal fictício na estação ferroviária da cidade, algo inexplicável acontece: a colisão de um trem com um carro. Os pacatos moradores pensam trata-ser de um acidente, menos os garotos, que não só presenciaram a tragédia, mas também a filmaram. O que realmente aconteceu?

    Este é o mote que deve prender o espectador. Aqui está a sua porta de entrada para o entretenimento, bem cuidada e com perfeição técnica, como é muito comum da produção contemporânea de Hollywood. A diferença é a pretensão do filme em ser um pouco mais do que isso.

    Num primeiro momento, Super 8 se desenvolve como um mero filme de ficção científica, trazendo, inclusive, as convenções do gênero nos anos 1950, entre elas o Exército como instituição bruta, acéfala e meramente dispensável na resolução do mistério - nada contra a esse posicionamento.

    No eficiente trabalho para a criação do suspense, os efeitos sonoros desequilibram positivamente, proporcionando uma interessante atmosfera. Isso numa primeira camada, a do puro entretenimento, pois ainda existem outras portas de entrada.

    Por exemplo: o que garante que o monstro que assusta os garotos, capturado pela câmera super-8 de Charles e compreendido pela inteligência de Joe (Joel Courtney) não é uma metáfora de como lidar com o desconhecido? Não como elemento externo (eu e o outro, na referência claríssima a E.T. - O Extraterrestre), mas do sujeito com ele mesmo? Quem disse que ele não poderia representar um medo que temos de nós mesmos?

    Ainda mais por se tratar de adolescentes que começam a entender o peso dos adultos em suas vidas e as dificuldades de largar a zona de conforto. Nesse sentido, Super 8 fica ainda mais interessante por tratar de sentimentos comuns.

    O senão nesse tratamento é a superficialidade e o tom ligeiro de um roteiro que moraliza o fechamento de todas as pontas: temos sensações delineadas, mas jamais aprofundadas. Ou, pior, soterradas por soluções edificantes, o que enfraquece o potencial do filme em ser algo a mais e desenvolver com mais veracidade um interessante desenvolvimento dramático: se em Trabalhar Cansa, o surgimento de um monstro revela a podridão do comportamento de seus personagens, em Super 8 é janela para uma nova chance rumo ao diálogo.

    Se estendermos um pouco mais as comparações, existe também a própria transformação da bitola como referência à idade adulta. Se na adolescência usar o super-8 foi experiência para esses meninos, quando crescidos – entre eles, imagino, gente da geração de J.J. Abrams – migraram para a película como algo sério, de gente grande.

    Tudo isso para dizer que num ano medíocre do cinema americano, Super 8 é um filme respeitável, uma ficção científica que abre portas para desdobramentos minimamente austeros.

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