SUPER NADA

SUPER NADA

(Super Nada)

2011 , 94 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 15/03/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Rubens Rewald

    Equipe técnica

    Roteiro: Rubens Rewald

    Produção: Rubens Rewald

    Fotografia: Hélcio Alemão Nagamine

    Estúdio: Confeitaria de Cinema

    Distribuidora: Lume Filmes

    Elenco

    Clarissa Kiste, Jair Rodrigues, Marat Descartes

  • Crítica

    11/03/2013 15h00

    A intenção de Super Nada é evidente: mostrar o caminho arenoso para a verdadeira arte ganhar espaço quando o apelo ao banal está em alta. Apesar de o tema proposto oferecer um leque de argumentos que poderiam ser trabalhados das formas mais criativas, o longa do diretor e roteirista Rubens Rewald (Corpo) acabou sendo pouco ousado e muito cansativo.

    Com foco nas atuações, a comédia dramática traz Marat Descartes (Trabalhar Cansa) na pele de Guto, ator cujo sonho é viver de seu trabalho. Descartes desempenha eficientemente o papel, parece infeliz e relegado a uma vida sem sucesso. Assemelha-se à figura de um palhaço triste. Ele ensaia mesmo sozinho, mostrando exercícios de interpretação. No começo, as cenas são interessantes para aqueles que desconhecem o mundo dos palcos, mas a insistência performática torna algumas passagens repetitivas e sem brilho.

    Os detalhes que o cercam – desde a torneira do banheiro quebrada até o celular de dez anos atrás – compõe o clima decadente de seu apartamento. E os planos da cidade, com prédios pichados e bares sujos, reiteram a ambiência da falta de esperança. A namorada do personagem também embarca nesse sentimento.

    Clarissa Kiste
    não convence ao viver uma atriz sofredora do underground. Deseja levar um relacionamento sério e ao mesmo tempo curtir sua marginalidade com ares de classe média. Não se conhece muito sobre ela, além da aparência esnobe. Outro núcleo da trama conta com a mãe e a filha de Guto, que vivem em uma casa separada. As sequências no local soam mais verdadeiras e as atrizes contracenam de maneira convincente com o artista cada dia mais desiludido e sem condições de levar uma vida digna.

    O cantor Jair Rodrigues foi muito elogiado no papel do humorista Zeca, cujo programa fictício dá nome ao filme. Percebe-se, no início do longa, uma certa inibição por parte dele. Ao longo da trama, fica mais à vontade, mas não entra completamente no personagem: o espectador ainda verá Jair Rodrigues na tela, com todos trejeitos conhecidos da persona pública. Suas sequências de destaque se passam dentro do apartamento do protagonista, onde o comediante mostra um lado pervertido e fanfarrão.

    Já as passagens nas festas do submundo dos artistas caem na mesma situação mencionada anteriormente: parecem jovens de classe média atuando. Não fica claro se essa era a intenção do filme ou se a escolha do elenco acabou criando a sensação de película feita por universitários e destinada aos mesmos.

    Diante do chatíssimo programa Super Nada, temos um retrato do humor da TV brasileira. A última cena com Marat Descartes emana um silêncio perturbador. Mas, seja pela falta de ousadia ou naturalidade, o filme curto parece se arrastar por mais de duas horas. Não envolve ou convence o espectador na tentativa de retratar a vida de um artista em São Paulo. Talvez tal retrato precisasse ser mais visceral e menos encenado.

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