TÁ CHOVENDO HAMBÚRGUER

TÁ CHOVENDO HAMBÚRGUER

(Cloudy With a Chance of Meatballs)

2009 , 95 MIN.

Gênero: Animação

Estréia: 02/10/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Chris Miller, Phil Lord

    Equipe técnica

    Roteiro: Chris Miller, Phil Lord

    Produção: Pam Marsden

    Trilha Sonora: Mark Mothersbaugh

    Estúdio: Sony Pictures Animation

    Distribuidora: Sony Pictures

  • Crítica

    01/10/2009 12h12

    Alguém (não sei quem) disse (não sei quando) que só existem uns 30 e poucos (não sei exatamente quantos) roteiros básicos na história do cinema. Bom, eliminando a extrema precisão desta afirmação (e minha prodigiosa memória), a ideia é a seguinte: segundo este estudioso, que não me lembro quem é, existem menos de 40 situações dramáticas exploradas pelo cinema. E todos os milhares de longas-metragens feitos até hoje, em toda a História, seriam somente adaptações e desdobramentos destas mesmas situações básicas.

    Não sei se a teoria é verdadeira, mas esta ideia me voltou à mente ao ver Tá Chovendo Hambúrguer. É impressionante como as histórias infantis em geral e os desenhos animados em longa-metragem em particular têm explorado o tema básico do Patinho Feio. Se pegarmos alguns exemplos aleatórios - digamos Vida de Inseto, Ratatouille, Dumbo, Formiguinhaz, O Galinho Chicken Little, Monstros S.A. e agora Tá Chovendo Hambúrguer, é possível ver como todos eles - e muitos mais que não me ocorrem no momento - partem da mesma premissa: o protagonista que parece totalmente desprovido de talento é ridicularizado e segregado no meio social onde vive por ser “diferente”, marginaliza-se para que depois uma força maior revele que ele tem, sim, um dom especial, uma particularidade que o transformará em herói tanto dentro de seu convívio social como fora dele. A fórmula é novamente utilizada em Tá Chovendo Hambúrguer. O que não chega a ser um demérito, já que o filme tem qualidades suficientes para agradar a adultos e crianças.

    O Patinho Feio desta vez é o jovem Flint, garoto genial, metido a inventor, mas que nunca consegue acertar nas geringonças que constrói em seu laboratório. Entre elas, uma hilariante TV de controle remoto: você aperta o botão, o aparelho cria pernas e caminha em sua direção. A situação de Flint se torna ainda pior pelo fato dele morar numa ilha minúscula, onde toda a população só come peixe, nada além de peixe (ótima metáfora para a mesmice do consumismo estilo McDonald´s). E pior: seu pai quer que ele abandone as invenções e passe a ser seu companheiro de trabalho… Vendendo peixes. Abatido, frustrado e com um enorme potencial represado, o jovem ainda tenta uma última invenção antes de se tornar um peixeiro: a máquina que transforma água em comida. Mas é óbvio que algo vai sair gigantescamente errado.

    Mesmo partindo de uma premissa já exaustivamente explorada, o filme consegue se superar em outros quesitos cinematográficos que acabam lhe conferindo prerrogativas de uma deliciosa diversão em família. Os diretores Phill Lord e Chris Miller, ambos estreando no longa-metragem, injetam tamanha simpatia, personalidade e vivacidade aos personagens que a empatia com o público beira a perfeição. O ritmo também é dos mais ágeis, conquistando em cheio as plateias infantil e juvenil. E o humor - provavelmente a maior qualidade do desenho - é inteligente, afiado e constante, o que faz a alegria também dos espectadores adultos. Isso sem contar as bem dosadas doses de romance.

    O traço, a qualidade da animação propriamente dita, é surpreendente, podendo inclusive ser comparada ao que existe de melhor no gênero. Leia-se Pixar. Os mais desavisados provavelmente não perceberão que a produção não é da Disney, nem da DreamWorks, nem da própria Pixar, mas sim da Sony, concorrente que corre por fora no segmento de desenho animado de longa-metragem. Embora seja preciso reconhecer que os personagens de Tá Chovendo Hambúrguer parecem descendentes diretos da família de super-heróis que vimos em Os Incríveis. Da Pixar.

    Concorrências corporativas a parte, Tá Chovendo Hambúrguer é uma das melhores animações da safra recente. A lamentar somente a distribuidora não ter mantido a tradução do título original, Cloudy With a Chance of Meatballs, ou seja, Nublado, com Possibilidades de Almôndegas. É desagradável ver que as distribuidoras continuam sempre achando que o público não vai entender.

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