TABU (2000)

TABU (2000)

(Gohatto)

2000 , 113 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Nagisa Oshima

    Equipe técnica

    Roteiro: Nagisa Oshima

    Fotografia: Toyomichi Kurita

    Trilha Sonora: Ryûichi Sakamoto

    Elenco

    Ryuhei Matsuda, Shinji Takeda, Tadanobu Asano, Takeshi Kitano, Yoichi Sai

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Com problemas de saúde, o consagrado cineasta japonês Nagisa Oshima - autor de preciosidades como O Império dos Sentidos, Furyo – Em Nome da Honra e A Balada de Narayama – não filmava desde 1991. Recuperado, seu nome e seu prestígio conseguiram levantar financiamentos na França, na Inglaterra e no Japão para a realização deste sensível Tabu, filme que estréia neste final de semana no Brasil.

    Tabu foi rodado em 1999 e a ação é ambientada em 1865. Naquele momento, na cidade de Kyoto, jovens determinados e disciplinados se candidatam ao invejado posto de lutadores nas milícias samurai. A seleção é das mais rigorosas. Entre os vários candidatos, poucos conseguem a vaga. Entre eles estão Kano (Ryhuei Matsuda) e Tashiro (Tadanobu Asano). Kano tem maneiras finas, vem de família rica e os traços de seu rosto são quase andróginos. Tashiro, por outro lado, é rude e de linhagem rústica. Logo Tashiro se apaixona por Kano e não mede esforços para conseguir o objeto do seu desejo.

    Em pouco tempo, a presença sensual de Kano quebra toda a paz que reinava no lugar. De uma forma ou de outra, comandantes, oficiais e samurais se sentem perturbados, incomodados ou atraídos pelo jovem samurai. Sentimentos contidos vêm à tona, a desconfiança impera e até crimes são cometidos em nome da homossexualidade de Kano.

    Para quem já havia realizado o altamente erótico O Império dos Sentidos, em 1976, Tabu não chega a ser polêmico. Foi-se o tempo em que a homossexualidade nas telas de cinema causava alguma estranheza entre o público. Tampouco a polêmica parece ser a intenção de Oshima neste seu novo trabalho. Fiel às tradições do cinema japonês, o diretor realiza um filme contemplativo e introspectivo, em que as emoções permanecem entaladas nas gargantas. Mais que explorar o homossexualismo do personagem principal, o diretor prefere enfocar as diversas reações causadas pelo “diferente” por tudo aquilo que é considerado “fora dos padrões”. Teoricamente, o centro de treinamento dos samurais seria um modelo de quietude e disciplina. Até o momento em que a simples presença de alguém que ousa ser diferente dos demais desencadeia uma série de sensações até então inconfessáveis, que acabam desembocando em tragédia. Como diz um dos letreiros do filme, “No céu, não há segredos. E na Terra, tudo se sabe”.

    A sensualidade pura e simples é suficiente para desmoronar todo um modelo baseado em falsas aparências. Um jovem bonito, sozinho, consegue questionar e derrubar toda a suposta rigidez dos códigos dos guerreiros. Os padrões milenares são colocados em xeque.

    Todo este questionamento e este represamento sexual são embalados pela música simples e eficiente de Ryuichi Sakamoto, o autor de trilhas como O Último Imperador e De Salto Alto e Furyo – Em Nome da Honra.

    Tabu não é um filme de puro entretenimento. Tampouco se encaixa na categoria de “indecifrável”. Trata-se de um saudável meio termo entre o estilo filosófico oriental e o ritmo exigido pelo público ocidental. Um belo trabalho que merece ser conferido por quem está aberto a um estilo mais artístico que comercial de se fazer cinema.

    Completa o elenco o ator e diretor Takeshi Kitano, aqui assinando com seu pseudônimo ocidental Beat Takeshi.

    11 de julho de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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