Pôster de Tatuagem

TATUAGEM

(Tatuagem)

2013 , 108 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 15/11/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Hilton Lacerda

    Equipe técnica

    Roteiro: Hilton Lacerda

    Produção: João Vieira Jr

    Fotografia: Ivo Lopes Araújo

    Trilha Sonora: DJ Dolores

    Estúdio: REC Produtores Associados

    Montador: Mair Tavares

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Irandhir Santos, Jesuíta Barbosa, Rodrigo García, Sílvio Restiffe, Sylvia Prado

  • Crítica

    11/11/2013 19h30

    Experimente abordar três, quatro pessoas na saída de uma sessão de Tatuagem e perguntar: "O que mais chamou sua atenção no filme?" É possível que ouça diferentes respostas, cada qual apontando numa direção. Difícil será ouvir alguém dizer que não foi alvejado pela obra de Hilton Lacerda de alguma forma.

    Sim, "alvejado" é o termo certo porque "tocado" seria eufemismo. E o curioso é notar que a transgressão e ousadia do longa já não deveriam soar como tal nos dias de hoje. Tatuagem, por sinal, é ambientado no ano de 1978. Mas, excetuando-se a contextualização de época – o país estava sob o julgo dos militares -, muito do que é mostrado no filme continua atual.

    Somos apresentados ao grupo teatral Chão de Estrelas, que faz apresentações debochadas, repleta de cenas de nudez, palavrões a torto e direito e zombaria sem pudores das instituições. É neste universo que se desenrola o romance entre Fininha (Jesuíta Barbosa), um jovem soldado do Exército, e Clécio (Irandhir Santos), líder do provocador grupo teatral.

    Hilton Lacerda, roteirista de filmes como Baile Perfumado, Amarelo Manga e Febre do Rato, estreia na direção sem fazer concessões. Na tela explora os temas que lhe são caros sem maquiagem (esta sai, tatuagem fica). O desprendimento vai das cenas de sexo quase explícitas entre homens até a crítica nada dissimulada a um sistema que cerceia as liberdades individuais em nome do que a sociedade considera "normal".

    Uma necessidade libertária que ressoa nos dias atuais, onde ainda se discute os direitos dos homossexuais, a truculência policial respaldada pelo Estado, a intolerância com a liberdade alheia. Este talvez seja o maior incômodo de Tatuagem: estamos ambientados em 1978, mas tudo parece muito século 21.

    Lacerda mostra-se um diretor capaz de arrancar o melhor de seus atores. Irandhir Santos está simplesmente impecável. As cenas de intimidade entre seu personagem e do ator Jesuíta Barbosa são de uma naturalidade quase documental. Outro ator que surpreende é Rodrigo Garcia, que interpreta a afetada Paulete, personagem difícil de ser conduzida por estar sempre no limiar do caricato – fronteira nunca cruzada.

    Faltou a Lacerada, no entanto, um pouco de desapego na montagem. Como é muito redondo em vários aspectos, o filme incomoda a certa altura por se estender além do necessário. Ressente-se também por explorar pouco o humor que poderia brotar das apresentações da trupe Chão de Estrelas. O diretor parece ter esquecido que dá para se falar muito sério através do riso.

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