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TED

(Ted, 2012)

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20/09/2012 13h00
por Paulo Cintra

Seth Macfarlane é bom no que faz e ponto final. É impossível escrever sobre Ted sem citar os grandes sucessos do diretor: as polêmicas séries de televisão Family Guy, em português Uma Família da Pesada, e American Dad. O longa segue a mesma fórmula das animações e tem tudo para agradar os seus fãs.

Ted funciona, mas está claro que Macfarlane teve de se render aos estúdios de Hollywood e aliviar em algumas piadas. Além disso, parece que ele trouxe para o cinema certos vícios da televisão que não dão certo nas telonas. Ao final de cada cena existem transições (geralmente fade outs) que quebram o clima do longa e atrapalham a continuidade da produção.

A trama é simples, John Bennett (Mark Wahlberg) é um garoto de oito anos sem amigos. Em uma noite de natal, ele recebe um ursinho de pelúcia de presente. Sonhando em ter um grande amigo, John deseja que o seu brinquedo ganhe vida. O resto você já deve imaginar: quando o garoto acorda... voilà!

Aos 35 anos, ele ainda vive com o ursinho e os seus passatempos agora se resumem a usar drogas, beber e falar besteiras. No entanto sua namorada Lori Collins (Mila Kunis) quer que isso mude.

Spoilers à parte, o filme usa e abusa do humor negro para entreter a plateia. Fica a dica para a indústria cinematográfica americana, que insiste em permitir que Adam Sandler e muitos outros façam comédias com piadas escatológicas sem graça. Não que Ted deixe esse recurso de lado, porém a escatologia surge de maneira engraçada, brincando com a fraqueza de um dos personagens.

Mas nem tudo são flores. Infelizmente, Macfarlane quis criar momentos dramáticos que se tornam bem entediantes. Apesar de alguns deles servirem de escalada para boas piadas, essa tentativa de agregar estilos atrapalha bastante o roteiro.

Praticamente todos os pontos altos do filme se dão com o ursinho em cena, vale citar que o diretor é o responsável também pela dublagem de Ted. Quando o casal formado por Mark Wahlberg e Mila Kunis fica sozinho na tela, prepara-se para o tédio. O ator consegue se sair bem apenas nas cenas de humor, já a atriz se sai um pouco melhor ao longo do filme, mas ambos não empolgam.

Ted é um show de referências à cultura pop americana: filmes, músicas, séries, esportes e tudo mais. Não é a toa que a produção arrecadou US$ 217 milhões nos Estados Unidos e se tornou a sexta bilheteria do ano no país, à frente de longas mais badalados como Homens de Preto 3 e Prometheus. Aliás fãs de Crepúsculo e Justin Bieber que se preparem, pois o filme bate pesado na franquia do vampiro brilhante e no cantor teen.

Resumindo, Ted é uma boa comédia. Diverte e não decepciona, porém você sai do cinema pensando que o filme poderia ser muito melhor, caso o diretor desistisse dessa veia dramática. Resta saber se o público brasileiro conseguirá captar as inúmeras referências à cultura pop americana e se estarão abertos ao tradicional humor negro de Seth Macfarlane, afinal estamos no país em que um feto processou um humorista.

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