TEMPO DE EMBEBEDAR CAVALOS

TEMPO DE EMBEBEDAR CAVALOS

(Zamani Baray'e Masti Asbha)

2000 , 80 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Bahman Ghobadi

    Equipe técnica

    Roteiro: Bahman Ghobadi

    Produção: Bahman Ghobadi

    Fotografia: Saed Nikzat

    Trilha Sonora: Hossein Alizadeh

    Estúdio: B.H. Filmes

    Elenco

    Amaneh Ekhtiar-Dini, Ayoub Ahmadi, Jouvin Younessi, Madi Ekhtiar-Dini, Nezhad Ekhtiar-Dini

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    O cinema iraniano tem recebido nos últimos anos os mais diversos adjetivos: singelo, puro, realista ou mesmo enfadonho, chato, desinteressante. Porém, poucos filmes produzidos no Irã conseguem ser tão emocionantes como Tempo de Embebedar Cavalos, que estréia esta semana no Brasil em um restrito circuito direcionado ao chamado público de arte.

    Tudo acontece na turbulenta fronteira entre a região do Curdistão e o Iraque, lugar de intensos contrabandos dos mais variados produtos. Cinco irmãos órfãos dividem com o tio a pouca comida, o frio e as péssimas condições de vida da fronteira. O irmão mais velho, então, resolve também se dedicar às atividades ilegais para sustentar a família e, principalmente, pagar uma delicada cirurgia a um de seus irmãos menores, portador de uma doença rara que o impede de crescer.

    Na desesperada luta pela sobrevivência, tudo é permitido: trair, roubar, contrabandear e até vender pessoas. A pequena família de irmãos deverá ter muita resistência, heroísmo e força de vontade para não se desintegrar diante de tanta miséria.

    Tempo de Embebedar Cavalos segue a tradição simplista e até minimalista do cinema iraniano, mas não economiza em emoções. Aos poucos, o jovem elenco vai conquistando o público que se percebe cada vez mais envolvido pelas situações-limite vividas pelos irmãos. O diretor Bahman Ghobadi opta por uma linguagem fragmentada, quase cifrada, em que a realidade é exposta aos pedaços. Nada é claramente – pelo menos num primeiro momento – explicado. Nem o enigmático título do filme. Os dramas pingam em doses paliativas, o desespero é crescente e o que se vê no final é um grande painel da tragédia humana. Mas é possível também enxergar com clareza o amor e a força da união que permeia a vida dos cinco irmãos. É o alívio que resta após 80 minutos de dramas e aflições.

    9 de maio de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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