TERRITÓRIO RESTRITO

TERRITÓRIO RESTRITO

(Crossing over)

2009 , 140 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 09/04/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Wayne Kramer

    Equipe técnica

    Roteiro: Wayne Kramer

    Produção: Frank Marshall, Wayne Kramer

    Fotografia: Jim Whitaker

    Trilha Sonora: Mark Isham

    Estúdio: C. O. Films

    Elenco

    Alice Braga, Alice Eve, Ashley Judd, Cliff Curtis, Harrison Ford, Jacqueline Obradors, Jim Sturgess, Ray Liotta, Sean Penn, Summer Bishil

  • Crítica

    09/04/2009 00h00

    Babel é responsável por abrir a porteira de um jeito particular de contar uma história em um filme. Com o gancho da globalização e o clichê "o mundo todo está conectado", Guillermo Arriaga dá um jeito de amarrar trajetórias que, a priori, nunca se cruzariam.

    Mas o método que funcionou com eficiência no longa de Alejandro Gonzáles Iñarritu não é garantia de que qualquer outro filme que se utilize dessa abordagem será hábil em contar uma história. Na pretensão de falar de várias pessoas, Território Restrito não fala de ninguém e de nada.

    Da maneira mais previsível possível, a primeira sequência do filme é um sobrevoo que leva a um centro de detenção de imigrantes com uma música de fundo. Som (trilha que indique suspense) e imagem (tomada aérea) que são sempre utilizados em filmes que misturam ação e contexto político, como fizera recentemente Ridley Scott em Rede de Mentiras.

    Esse sobrevoo despretensioso diz muito sobre o filme. Território Restrito apenas resvala na vida de seus personagens e em raros momentos parece realmente acreditar no que eles nos dizem. O argumento do filme, entrelaçar pessoas que estejam envolvidas com a imigração nos EUA, vira uma camisa de força que não deixa os personagens respirarem.

    O eixo é Max Brogan, um agente da imigração do tipo bom samaritano que tenta conciliar a função de prender ilegais com a vontade de salvá-los. Personagem com conflitos éticos tem tudo para ser rico em profundidade, certo? Errado. O roteiro de Wayne Kramer, que também assina a direção, não dá vazão alguma a esses conflitos e prende Brogan na forma "policial que contesta o que faz". Por que ele virou agente da imigração? Defende os ilegais porque tem uma preferência, por inércia, pelas minorias? Ou é resultado de consciência política? Estas e outras questões vão para o ralo e nem são sequer insinuadas. O espectador tem acesso à casca de Max, ao seu estereótipo.

    Continuando a lista de superficialidades, cada personagem representa uma faceta da política externa norte-americana: uma família palestina (povo em constante disputa com Israel, aliado histórico dos EUA); um jovem judeu hype e uma garota australiana desmiolada; uma família chinesa (maior país detentor da dívida norte-americana); um iraniano (que por acaso é parceiro do agente Brogan); e, como grand finale, uma mexicana ("tão longe de Deus, tão perto dos EUA").

    Aliás, a mexicana é interpretada pela brasileira Alice Braga, em um sotaque castellano para lá de tabajara. Sua personagem aparece em apenas três cenas, mas é responsável por amarrar o filme ao ser presa pelo agente Brogan. Onde foi parar a atriz pulsante de Cidade Baixa? Se perdeu pelo caminho entre a baixa Salvador e a Los Angeles de Território Restrito?

    Território Restrito é mais um exemplo da dificuldade em transformar a pretensão de conectar vários universos em uma história bem contada. Ou de trazer com habilidade elementos dos filmes de ação para assuntos políticos, como fizera Syriana - A Indústria do Petróleo ou O Jardineiro Fiel. Como Wayne Kramer não tem o roteiro de Stephen Gaghan ou Arriaga e sequer a versatilidade de Fernando Meirelles, Território Restrito é um exercício de esforço para o espectadorem procurar sequências decentes no filme.

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