TETRO

TETRO

(Tetro)

2009 , 127 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 10/12/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Francis Ford Coppola

    Equipe técnica

    Roteiro: Francis Ford Coppola

    Produção: Francis Ford Coppola, Gerardo Herrero

    Fotografia: Mihai Malaimare Jr

    Trilha Sonora: Osvaldo Golijov

    Estúdio: American Zoetrope, BIM Distribuzione, Canal+ España, Instituto de Crédito Oficial (ICO), Instituto de la Cinematografía y de las Artes Audiovisuales (ICAA), Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA), Televisión Española (TVE), Tornasol Films, Zoetrope Argentina

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Adriana Mastrángelo, Alden Ehrenreich, Carmen Maura, Erica Rivas, Francesca De Sapio, Jean-François Casanovas, Klaus Maria Brandauer, Leticia Brédice, Lucas Di Conza, Marcelo Fabio Carte, Maribel Verdu, Mariela Noemi Magenta, Mike Amigorena, Nora Elisabeth Robles, Pedro Arturo Calveyra, Pochi Ducasse, Rodrigo De La Serna, Silvia Pérez, Sofía Gala, Susana Giménez, Vincent Gallo, Ximena Maria Iacono

  • Crítica

    02/12/2010 11h35

    Logo no pôster principal de Tetro está escrito “do mesmo diretor de Apocalypse Now e O Poderoso Chefão”. Estes dois grandes sucessos realizados ainda quando era jovem parecem assombrar Francis Ford Coppola, assim como os relacionamentos familiares povoam a maior parte das obras do cineasta. Em seu novo filme, o realizador novamente revela, através de um mosaico sentimental, suas próprias incertezas e dúvidas sobre o tema que circunda a maior parte de seus filmes: a família.

    Tetro se passa na Argentina e conta a história de Benny, um jovem norte-americano que vai ao encontro de seu irmão, antes um talentoso escritor, mas sumido há anos, supostamente para escrever seu novo livro. Chegando na Argentina, onde Angelo, irmão dele, mora, Benny percebe que a aversão do homem que agora é conhecido como Tetro à família é algo muito grande, até mesmo assustador.

    A atuação, ao lado da fotografia, é o principal ponto positivo de Tetro. Vincent Gallo (Brown Bunny) convence como um rebelde rapaz que tenta reconstruir a vida em outro lugar, longe de sua família, Mirabel Verdú vive uma excelente companheira, acostumada aos altos e baixos de seu marido. Mas o grande destaque fica por conta de Alden Ehrenreich, que faz aqui seu primeiro filme de longa metragem e já dá conta do recado, vivendo o curioso irmão Benny, personagem responsável por mover toda a engrenagem da história.

    Ao utilizar uma fotografia em preto-e-branco, Coppola consegue criar uma excelente ambientação, jogando bem com as sombras de uma Buenos Aires sombria. Mas, em determinados momentos, como flashbacks e imaginações, o diretor optou por transportar, inadvertidamente, a película para uma imagem colorida. Não fica claro se esta atitude foi tomada por um conceito estético ou por pura presunção de que as pessoas não conseguiriam distinguir as linhas temporais do filme. De qualquer forma, algumas dessas cenas em cor acabam por destruir a imagem séria que o filme vinha construindo já que, com o baixo orçamento que foi planejado, as sequências em que mais se utilizaria efeitos especiais e derivados acabam por deixar a desejar, protagonizando alguns momentos até mesmo de constrangimento.

    A trama vai sendo apresentada aos poucos, uma parte pelo próprio Tetro e outra através dos textos que ele havia escrito. Benny, com o auxílio de Miranda, esposa de Tetro, vai encontrando e unindo as peças como se fosse um quebra-cabeça, para entender um pouco mais sobre sua família. O filme começa com fortes luzes estroboscópicas, que se tornam um elemento recorrente no decorrer do filme e que, quando explicadas, passam a justificar o comportamento de Tetro. Assim como essas luzes, o maestro Carlo, pai dos dois irmãos, também é uma figura onipresente no longa, sendo marcado como a figura opressora e inimigo comum dos dois rapazes.

    Mesmo com um empolgante início e meio, o longa começa a se perder próximo ao final, após Benny transformar os escritos do irmão em uma peça, que é aclamada pela respeitada crítica Alone, vivida por Carmen Maura. Ela já havia aparecido antes no longa, tendo sido convidada a prestigiar uma encenação de Fausta, uma versão alternativa baseada no famoso livro de Goethe. Esta primeira aparição de Alone pode até ser encarada como um prenúncio das cenas surreais que estariam por vir.

    Durante a viagem que Tetro, junto a seu irmão e o resto do grupo, faz até o festival da Patagônia, onde sua peça será exibida, o longa caminha da seriedade para o absurdo e o perdido, momento que fica muito bem representado pela cena de extremo mau gosto onde, ao procurar desesperada por seu marido, Miranda encontra uma surpresa inesperada na estrada.

    Um filme que começa bem e termina mal, em todos os aspectos possíveis. Provavelmente, você não verá nos pôsteres futuros dos filmes de Coppola a anotação “Do Mesmo Diretor de Tetro”, mas, ainda assim, este é um filme que mostra que o cinema de autor ainda pode funcionar na cabeça deste agora velho e experiente senhor de 71 anos.

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