O Conselheiro do Crime

O CONSELHEIRO DO CRIME

(The Counselor)

2013 , 118 MIN.

16 anos

Gênero: Suspense

Estréia: 25/10/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Ridley Scott

    Equipe técnica

    Roteiro: Cormac McCarthy

    Produção: Cormac McCarthy, Nick Wechsler, Paula Mae Schwartz, Ridley Scott, Steve Schwartz

    Fotografia: Dariusz Wolski

    Trilha Sonora: Daniel Pemberton

    Estúdio: Chockstone Pictures, Nick Wechsler Productions, Scott Free Productions, Translux

    Montador: Pietro Scalia

    Distribuidora: Fox Film

    Elenco

    Brad Pitt, Bruno Ganz, Cameron Diaz, Dean Norris, Emma Rigby, Goran Visnjic, Javier Bardem, John Leguizamo, Michael Fassbender, Natalie Dormer, Penélope Cruz, Richard Cabral, Rosie Perez, Ruben Blades, Sam Spruell

  • Crítica

    25/10/2013 00h01

    Por Daniel Reininger

    Quais regras estamos dispostos a quebrar para atingir nossos objetivos? Quando a linha da moralidade deixa de fazer sentido para justificarmos nossas escolhas? O roteirista Cormac McCarthy (Onde Os Fracos Não Têm Vez) tenta responder a essas perguntas ao abordar o decadente mundo das drogas. Com direção do premiado Ridley Scott, O Conselheiro do Crime mostra como nossas decisões fogem do controle assim que são tomadas e como pessoas diferentes encaram as consequências.

    Na trama, o advogado interpretado por Michael Fassbender encontra o amor nos braços de Penélope Cruz. Com problemas financeiros e intenção de dar a vida dos sonhos à sua amada, se envolve com o tráfico de drogas. Ele é inocente o suficiente para achar que pode ganhar dinheiro e, ao mesmo tempo, evitar fazer parte do mundo do crime, mas, obviamente, as coisas se complicam e ele percebe que sua vida está prestes a mudar para sempre.

    Embora o título no Brasil seja equivocado, afinal dá a entender que o advogado ativamente ajuda traficantes como parte de seu trabalho, o verdadeiro problema do filme está na inconsistência. O roteiro, por exemplo, não está entre os melhores trabalhos de McCarthy e, apesar de bons momentos, parece autoplágio de outros textos do autor, mas sem o peso de obras como A Estrada.

    Os diálogos também são problemáticos. Alguns não têm propósito, enquanto outros, como o inicial entre Michael Fassbender e Penélope Cruz, não soam verdadeiros. Scott, como diretor, também tem sua parcela de culpa, afinal ele prefere a superficialidade narrativa em prol de grandes cenas de ação. Tudo é muito bem feito tecnicamente, porém quando as coisas acalmam, perdem impacto.

    Um exemplo claro desse problema é a cena de sexo mais impressionante e ultrajante de Hollywood, na qual Cameron Diaz literalmente transa com um carro esporte diante de seu namorado traficante, interpretado por Javier Bardem. É o ápice da coisificação do ser humano, crítica forte presente no roteiro, porém que se perde com diálogos patéticos a respeito das mulheres, as quais nunca deixam de ser vendidas como objetos ou moedas de troca.

    Esse aspecto pode não incomodar a todos, mas fica difícil ignorar a forçada de barra para criar momentos icônicos do cinema. Só que a produção não escapa de clichês e absolutamente tudo comentado ao longo do filme se torna realidade em algum momento. Se alguém falou de determinado estilo de tortura, pode esperar vê-lo algumas cenas adiante.

    E embora Fassbender e Diaz estejam muito bem, outras estrelas não agradam. Bardem atua um tom acima e está mais para a caricatura de um traficante. Penélope Cruz é linda, mas neste filme se resume a isso. Brad Pitt, apesar da atuação consistente, parece ter entrado no modo automático e seus personagens estão cada vez mais parecidos uns com os outros.

    Mesmo com tantos problemas, a construção em direção ao clímax é interessante e o final é bom, mas não há suspense em momento algum. É fácil prever os acontecimentos e, na última cena, caso tenha sobrado alguma dúvida na mente do espectador, o vilão da história aparece para explicar exatamente todos os eventos das últimas duas horas – é o detalhe final que estraga de vez um longa com enorme potencial.

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