THE RUNAWAYS - GAROTAS DO ROCK

THE RUNAWAYS - GAROTAS DO ROCK

(The Runaways)

2010 , 105 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 08/10/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Floria Sigismondi

    Equipe técnica

    Roteiro: Floria Sigismondi

    Produção: Brian Young, Joan Jett, Kenny Laguna

    Fotografia: Benoît Debie

    Estúdio: Road Rebel

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Alia Shawkat, Dakota Fanning, Johnny Lewis, Kristen Stewart, Michael Shannon, Robert Romanus, Scout Taylor-Compton, Tatum O'Neal

  • Crítica

    07/10/2010 15h08

    Há algum tempo não via uma cinebiografia sobre bandas ou cantores famosos com fins decadentes, mas a diretora Floria Sigismondi me refrescou a memória de como essa experiência pode ser tanto prazerosa como desastrosa. The Runaways - Garotas do Rock chega aos cinemas, para a alegria dos fãs de Kristen Stewart e Dakota Fanning e para a tristeza dos fãs da banda.

    Acredito que quem se identifica com as músicas das Runaways e com a década da qual elas surgiram (anos 70) possa se decepcionar ao ver a que se reduziu uma história que podia ser melhor aproveitada. Ou melhor seria que nem existisse.

    Achei essa produção um tiro no pé para uma banda que quer manter sua imagem ilesa diante dos amantes de uma década que foi o ápice da criatividade musical, em termos de Rock and Roll. Porém, me vem a sorrateira idéia de que The Runawaysnão é mais do que um filme marqueteiro para duas pessoas, no caso Cherrie Currie (antiga vocal da banda) e Joan Jett (guitarrista remanescente que mantém a banda Joan Jett & The Blackhearts), que ainda sentem a necessidade de se estabelecerem como rockstars na cena atual.

    Para o público feminino, o principal alvo para o qual o longa se direciona, conhecer a banda em si está completamente fora de questão. Não existe banda, e sim Kristen Stewart, no papel de Joan Jett, e Dakota Fanning, como Cherrie Currie. O foco se direciona nas duas, fazendo com que o resto das garotas, que também fizeram história no grupo, se tornassem figurantes.

    The Runaways, o filme, não empolga. Apesar da ótima caracterização das atrizes, da direção de arte impecável ao retratar a década de 70, não há nada além disso que se torne extraordinário no longa.

    Atuações

    Sobre as atuações, achei que faltou um pouco de paixão, ou até mesmo empolgação em determinados momentos, como, por exemplo, na hora em que todas assinam o contrato com a gravadora que as contrata. É tudo muito seco e mecânico. Tipo: “sabia que isso iria acontecer e para mim não é novidade”. Kristen Stewart, mesmo tentando se libertar das amarras da Saga Crepúsculo, ainda apresenta aquela característica tímida de todos os seus filmes que, digamos, uma rockstar que vive na boemia não teria. Apesar de ser a estrela teen do momento, não acho que foi uma boa escolha para o papel.

    Dakota Fanning está um tanto fria demais, pois a Cherrie Currie que ela quis ser não passa nem perto da real. Não há uma simpatia. Só arrogância e muita anarquia – embora a segunda definição não fuja à regra do que foi esse período. Que fique claro também que não considero Fanning uma má atriz, porém esse não deve ser considerado “o” papel de sua carreira.

    Além das duas jovens, adoradas pelo inflamado público teen, confesso que não consigo ver brecha para falar da atuação das outras integrantes do grupo, pois a sensação que tive foi a de que elas eram descartáveis. Lita Ford fez o papel de a “mãe” do grupo. Ficou com a fama de chata o tempo todo e seu talento, muito mais viril que o de Joan Jett, diga-se de passagem, nem sequer é citado. Ela já foi parceira de Ozzy Osbourne e já recebeu indicação ao Grammy de Melhor Guitarrista Feminina. Onde está Lita Ford no filme? Simplesmente no cadafalso da falta de empatia. Injusto!

    A baixista Jackie Fox não quis seu nome vinculado ao longa e a baterista Sandy West, morta em 2006 por conta de um câncer, nem sequer recebeu um “in memorian” no fim da projeção. Ou seja, da mesma forma que foram esquecidas fora do filme, foram esquecidas dentro dele.

    A trilha sonora é um ponto positivo, mas ao contrário do que se pensa, que o filme seja enfeitado apenas por músicas das Runaways, outros clássicos do rock envolvem o longa, como, por exemplo, Rebel Rebel, de David Bowie, ou Pretty Vacant, do Sex Pistols. Uma curiosidade é a de que Dakota Fanning canta o single da banda, Cherry Bomb, com a mesma entonação de Cherrie Currie. Ficou bom! Além da sua performance muito bem estudada para as cenas dos shows da banda que aparecem.

    Apesar de ser uma estreante em Hollywood, Floria Sigismondi, que passou a vida dirigindo vídeoclips, também roteirizou o filme. Nada estranho em relação à condução da história, mas infelizmente o tema foi sintetizado de tal maneira que, nos 105 minutos de projeção, você vê um grupo que surgiu do nada e sucumbiu por conta de um capricho. Mas tudo muito rápido mesmo. Tudo bem que elas tiveram uma carreira meteórica, mas não como sugere o trabalho de Sigismondi. Essa pressa nos acontecimentos deixa o espectador meio zonzo e sem tempo para digerir a trama.

    Quando vejo um filme como esse, uma cinebiografia, eu sinto a necessidade de sair do cinema com mais conhecimento sobre aquele artista ou banda, mas não foi o caso.

    Também não quero jogar terra em cima da idéia de ressucitar o grupo, e confesso que admiro todas essas musicistas, pois elas conseguiram o que muitas bandas femininas ainda lutam para ter: reconhecimento. Porém, reapresentar The Runaways ao mundo não foi a proposta desse trabalho. Nesse caso, você sai muito mais no lucro se visitar a Wikipedia.

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