THERESE D.

THERESE D.

(Thérèse Desqueyroux)

2012 , 110 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 05/04/2013

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Claude Miller

    Equipe técnica

    Roteiro: Claude Miller, Natalie Carter

    Produção: Yves Marmion

    Fotografia: Gérard de Battista

    Estúdio: Canal+, Centre National de la Cinématographie (CNC), Ciné+, Cofinova 7, Cool Industrie, France 3 Cinéma, France Télévision, La Banque Postale Images 5, LBPI 5, Les films du 24, Procirep, Région Aquitaine, Sofica UGC 1, Soficinéma 8, TF1 Droits Audiovisuels

    Distribuidora: Imovision

  • Crítica

    03/04/2013 15h48

    Talvez algumas pessoas simplesmente tenham nascido no lugar e na época errada; e talvez esse seja o caso de Therese D. Para alguém envolvido por um ambiente cheio de preconceitos, perceber o certo e errado para si mesmo torna-se um desafio que pode levar a atitudes equivocadas.

    Audrey Tautou, a eterna Amélie Poulain, protagoniza o último longa do diretor Claude Miller, morto em 2012. A atriz deve levar muitos fãs para revê-la. E não será fraca a surpresa desse público alternativo ao se deparar com uma personagem extremamente infeliz diante da própria vida.

    Baseado no romance Thérèse Desqueyroux, de Fraçois Mauriac, o filme segue a trama do livro que nasceu a partir de uma notícia de jornal sobre uma mulher acusada de envenenar o marido. Ao ver seu destino traçado por um casamento de interesse com Bernard, a protagonista entra em um estado catatônico. Quando ele passa a se medicar com gotas de arsênico, ela vê uma chance para se libertar daquela história.

    Audrey Tautou despeja um desgosto eminente a cada gesto, expondo a infelicidade da personagem de forma expressiva através de seus grandes olhos escuros. A depressão não é colocada em palavras, o que gera uma sensação aflitiva; ela parece sufocada pela falta de compreensão dos outros e pelos próprios pensamentos.

    Diferente da Thérèse interpretada por Emmanuelle Riva (Amor) na versão cinematográfica de 1962, Audrey dá vida a uma persona extremamente frágil, sem muita convicção. No primeiro filme, o contraste entre a redoma da ignorância confortável e o sofrimento de uma mente pensamente é perceptível; a narrativa em primeira pessoa expõe uma personalidade forte e dá embasamento à trama. Aqui, sequências pouco marcantes tentam explicar os acontecimentos. Nem sempre funciona.

    Quando a irmã de seu marido e amiga de adolescência apaixona-se pelo jovem idealista Jean Azevedo, Therese inveja a felicidade dos dois. O coadjuvante entra como uma voz libertária na comunidade atrasada, abrindo um novo horizonte. Mas quando vê a possível liberdade pela primeira vez, a protagonista cai novamente no cárcere privado do casamento, sendo obrigada a manter as aparências.

    Planos amplos de fotografia marcante chamam a atenção, algo comum aos bons filmes de época. O longa começa bem, mas acaba perdendo o ritmo com muitos personagens passando de forma ligeira pela trama. Essa aparente pressa para amarrar a história parece ser o destino de várias adaptações literárias nos dias de hoje, talvez o maior desafio a ser superado pelo gênero. Anna Karenina acabou da mesma forma, assim como Os Miseráveis.

    Sem dúvida, Audrey Tautou traz uma versão interessante da desiludida senhorita Desqueyroux, baseada em gestos e sutilezas, não em palavras - uma opção audaciosa para a trama tão substancial e filosófica. Porém, se você realmente quer conhecer a dicotomia da personagem no cinema, não deixe de assistir a obra-prima homônima com Emmanuelle Riva para tirar suas conclusões sobre o "crime" de Therese D.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus