Tim Maia

TIM MAIA

(Tim Maia)

2014 , 140 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 30/10/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Mauro Lima

    Equipe técnica

    Roteiro: Antônia Pellegrino, Mauro Lima

    Produção: Rodrigo Teixeira, Rômulo Marinho Jr

    Fotografia: Eduardo Miranda, Ulisses Malta Jr.

    Trilha Sonora: Berna Ceppas

    Estúdio: RT Features

    Distribuidora: Downtown Filmes, Paris Filmes

    Elenco

    Alinne Moraes, Babu Santana, Cauã Reymond, George Sauma, Laila Zaid, Luis Lobianco, Marco Sorriso, Robson Nunes, Tito Naville, Valdineia Soriano

  • Crítica

    30/10/2014 21h16

        Depois de livros, especiais de TV e um musical, Tim Maia, um dos grandes nomes da música brasileira, ganhou seu primeiro filme, adaptado da obra de Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia, de Nelson Motta. Mas não espere um longa cheio de shows e bajulação ao seu talento, pois a produção visa mostrar a verdade nua e crua sobre a pesada trajetória do cantor e sua inconsequência para aproveitar a vida em detrimento da carreira.

       A direção de Mauro Lima coordena um roteiro que mostra toda a caminhada de Sebastião Maia, desde a infância vendendo marmitas para ajudar o negócio da família até o auge do sucesso e a consequente morte pelo abuso de drogas e álcool. Tudo isso com uma narração onipresente que complementa bem a história, nos momentos em que não é totalmente óbvia, claro.

       Quando Tião Marmiteiro, apelido que este odeia, resolve juntar os trocados para comprar uns discos e um violão e ir atrás da carreira musical, é Robson Nunes quem dá vida ao jovem ambicioso e desbocado, que até alisa os cabelos para ficar mais parecido com os estrangeiros. O ator representa bem a personalidade forte do biografado, mas somente até o momento onde precisa dublar as músicas, aí as coisas ficam um pouco constrangedoras.

       Logo de cara, Tim Maia já se arriscou formando um conjunto vocal, na esperança de estrear na televisão no programa da moda, em pleno auge do rock estiloso dos anos 1950. Inclusive, não só essa época como todas são fielmente retratadas pela produção e direção artística do filme, que consegue atrelar os detalhes certos para levar o expectador àquelas eras.

       Seus parceiros eram Roberto Carlos (George Sauma) e Erasmo Carlos (Tito Naville), mas assim como Rita Lee (Renata Guida) e Nara Leão (Mallu Magalhães) mais pra frente na trama, todos são retratados apenas como jovens artistas e cabe ao público relembrar suas carreiras e o período e geração em que estão inseridos, como a Jovem Guarda.

       A partir do desentendimento com Roberto Carlos, retratado de forma caricata como um mau amigo que preferiu a fama da carreira solo, Tim Maia acaba passando um tempo nos Estados Unidos, onde aprende mais sobre música até ser deportado por porte de drogas, e a volta ao Brasil traz os shows em bares e o começo da carreira com os sucessos que todos conhecem e amam. É dessa maneira didática que as mais de duas horas da produção explicam cada fase, cada briga, cada música genial e cada show que as drogas lhe impediram de levantar para fazer, além da fase de abstinência e mergulho na religião "racional".

       Repentinamente, Babu Santana assume o papel do cantor já quando está no auge da figura absurdamente talentosa e brutal que ele se tornou, com uma atuação forte tanto no caos das festas quanto na grandiosidade das apresentações musicais. Fortes também são as atuações de Cauã Reymond como Fábio, músico e melhor amigo, e Alinne Moraes como Janaína, groupie e grande amor da vida de Tim.

       Tim Maia entrega um retrato bem executado do personagem que hoje conhecemos como esse grande artista sem papas na língua, com todas as nuances da sua vida pessoal que influenciaram no trabalho único prestigiado por gerações. Com momentos de comédia e outros de drama, não há como negar que a extensão da narrativa é cansativa, mas o equilíbrio entre a descontração e a emoção mantém o espectador ligado, e o assunto acaba tornando-se interessante até para quem não é fã.

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