Poster filme

TIMBUKTU

(Timbuktu)

2014 , 97 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 22/01/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Abderrahmane Sissako

    Equipe técnica

    Roteiro: Abderrahmane Sissako, Kessen Tall

    Produção: Sylvie Pialat

    Fotografia: Sofian El Fani

    Trilha Sonora: Amin Bouhafa

    Estúdio: Dune Vision, Les Films du Worso

    Montador: Nadia Ben Rachid

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Abel Jafri, Adel Mahmoud Cherif, Cheik A.G. Emakni, Damien Ndjie, Djié Sidi, Fatoumata Diawara, Hichem Yacoubi, Ibrahim Ahmed, Kettly Noël, Layla Walet Mohamed, Mamby Kamissoko, Mehdi A.G. Mohamed, Salem Dendou, Toulou Kiki, Weli Cleib, Yoro Diakité, Zikra Oualet Moussa

  • Crítica

    22/01/2015 16h03

    Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, Timbuktu chega aos cinemas justamente no momento em que a fé islâmica está sob fogo cerrado. O impacto do ataque ao jornal francês Charlie Hebdo no começo de janeiro parece ter condicionado, mais uma vez, a opinião pública ao ódio aos grupos extremistas. Mas, como defendê-los diante de tamanha barbárie?

    É um pouco desse espírito que está no filme do mauritano Abderrahmane Sissako. Coprodução entre França e Mauritânia e vencedor do Prêmio do Júri Ecumênico no último Festival de Cannes, o longa começou a ser desenvolvido após o apedrejamento público de um casal de namorados em Mali, no ano de 2012. Apesar de ter nascido na Mauritânia, Sissako foi criado em Mali, país em que o fundamentalismo radical de seguidores de uma vertente do islã tem se intensificado.

    O filme constrói sua narrativa retratando a vida cotidiana de vários habitantes de uma cidade no interior do país. O personagem principal é Kidane (Ibrahim Ahmed dit Pino), pastor que vive tranquilo ao lado da família. Após um confronto com um pescador motivado pela morte de uma vaca - em uma cena tão bela quanto chocante - Kidane mata seu opositor, ficando à mercê do julgamento dos extremistas. Afinal, qual será sua punição por cometer um crime tão imperdoável?

    Há beleza no retrato de Sissako, que, por vezes, se vale dos cenários áridos e hostis para construir sua mensagem. Sua câmera alterna detalhes e planos abertos para mostrar o cotidiano dessas pessoas, além de sua fraqueza diante da repressão e da violência, sempre retratada de forma chocante, brutal e repentina. Há um retrato contundente da jihad e sua moral duvidosa, de suas regras impraticáveis e das obrigações que impõe às mulheres.

    Mas o filme parece pouco disposto a entender a complexidade do movimento jihadista. Sua visão rasa do extremismo parece condicioná-lo para exercer um papel propagandista.

    Timbuktu desperta um grande conflito em quem o assiste: seu tom documental parece disposto a mostrá-lo como verdade absoluta. Mas, será que o não entendimento das ideias radicais está relacionado ao nosso modo ocidental de compreender o outro?

    Talvez seja possível entender o mundo sob outra lógica, mas a repressão gratuita e a barbárie serão para sempre incompreensíveis. Na construção da não naturalização da violência todo panfleto tem seu valor.

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