TIMOR LOROSAE - O MASSACRE QUE O MUNDO NÃO VIU

TIMOR LOROSAE - O MASSACRE QUE O MUNDO NÃO VIU

(Timor Lorosae - O Massacre Que o Mundo Não Viu)

2001 , 80 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Lucélia Santos

    Equipe técnica

    Roteiro: Pedro Henrique Neschling

    Produção: Lucélia Santos

    Fotografia: Luís Abramo

    Estúdio: Nock Produções

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Sem dúvida, o jornalismo internacional se alimenta de más notícias. Quase ninguém sequer havia ouvido falar da pequena ilha de Timor Leste, localizada entre a Austrália e a Indonésia, antes do lugar se tornar palco de massacres hediondos, na virada da última década. Em sua luta para se libertar da Indonésia, Timor gerou cadáveres, aguçou o olfato da mídia internacional e rapidamente ganhou destaque no noticiário globalizado via satélite. O fato da ilha ter sido colonizada por portugueses - e de sua população falar o mesmo idioma que o nosso - de certa forma criou alguns laços afetivos entre Timor e Brasil.

    Em 1999, após um plebiscito em que a população local decidiu pela independência soberana do país, as milícias indonésias promoveram um verdadeiro massacre na ilha, como marca de vingança. E as forças das Nações Unidas tiveram de ser acionadas. Um ano depois, a atriz e cineasta Lucélia Santos desembarcou em Timor com uma equipe de vídeo, decidida a registrar a situação caótica do lugar e realizar um documentário para a televisão. Porém, na medida em que as gravações se desenrolavam, o projeto foi evoluindo para um documentário para o cinema. O resultado é Timor Lorosae - O Massacre Que Ninguém Viu, dirigido, co-roteirizado e narrado pela própria Lucélia.

    Sob condições precárias típicas de um país destruído pela guerra, Lucélia e sua equipe gravaram 40 horas de imagens, durante um mês. Na empreitada, foram ajudados até pelos soldados das forças de paz da ONU: os brasileiros providenciaram comida e abrigo, enquanto os portugueses arrumaram um helicóptero para as tomadas aéreas. A população local também ajudou como pôde, com alimentação e pousada.

    O filme não esconde sua intenção didática. O texto inicial é digno de um livro de geografia e o roteiro se apressa em passar ao público uma quantidade de informações grande demais para ser assimilada durante a projeção. Lucélia deixa de lado o distanciamento jornalístico. Sua narração, muitas vezes exacerbada, declaradamente toma partido, indigna-se com a situação. Mas estes são pequenos defeitos que não tiram o mérito documental de Timor Lorosae - O Massacre Que Ninguém Viu. Ao coletar depoimentos tanto de gente simples do povo como do próprio presidente do Timor, Xanana Gusmão, o filme cumpre sua função de registrar os terríveis fatos que culminaram com a independência do país, formalizada no último dia 20 de maio.

    Trata-se, contudo, de um registro de valor muito mais histórico que propriamente cinematográfico.


    19 de junho de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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