TIRESIA

TIRESIA

(Tiresia)

2003 , 115 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Bertrand Bonello

    Equipe técnica

    Roteiro: Bertrand Bonello, Luca Fazzi

    Produção: Carole Scotta

    Fotografia: Josée Deshaies

    Trilha Sonora: Albin De La Simone, Laure Markovitch

    Estúdio: Canal+, Haut et Court

    Elenco

    Célia Catalifo, Clara Choveaux, Laurent Lucas, Lou Castel, Thiago Telès

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Você gosta de filmes complicados, cheios de metáforas, daqueles feitos para que o espectador pense, antes de tudo? Eu também gosto. Só que tudo tem limite. Tiresia, dirigido pelo francês Bertrand Bonello (O Pornógrafo), ultrapassa todos os limites do bom senso e incomoda mais do que deveria. No mal sentido.

    Na mitologia grega, Tiresia era um profeta de Tebas descrito como mulher e homem ao mesmo tempo. Tiresia, o filme, não se divide em dois gêneros, mas sim em duas tramas distintas. No primeiro momento, Tiresia (Clara Choveaux) é um transexual brasileiro que vive clandestinamente com seu irmão e se prostitui em Paris. Quando Terranova (Laurent Lucas), um homem distante e misterioso, a encontra, imediatamente fica obcecado, até que a seqüestra. No cárcere e sem as doses regulares de hormônios que tomava para desenvolver formas femininas, ela/ele volta à sua forma masculina original (Thiago Telès). Decepcionado, Terranova o cega e abandona em uma floresta, onde é resgatado pela jovem Anna (Célia Catalifo), que o leva a uma igreja local. Começa aí a "segunda fase" de Tiresia: agora, ele se torna uma espécie de vidente, um profeta da comunidade local.

    Quando exibido no Festival de Cannes (onde concorreu à Palma de Ouro), muitas pessoas abandonaram a sala de cinema durante sua exibição. Não é para menos: Tiresia incomoda, mas não somente por causa de algumas cenas bizarras e chocantes, mas por que é um filme chato, maçante. Tamanha divisão no roteiro faz com que ele seja fragmentado demais. As duas fases do personagem não têm uma liga sustentável o suficiente para que possamos dizer que se trata somente de um filme. Parece que você dormiu no final de um e acordou quando outro já começou, sabe?

    Agora, se mesmo assim você vai se arriscar a assistir a esta produção, digo que há dois motivos para se chegar ao final da exibição: os atores que interpretam as duas fases de Tiresia são brasileiros e a fotografia é ótima. Esses dois pontos, no entanto, não fazem com que o espectador tenha vontade de continuar até o final. Só se ele for como eu que, por questão de honra e respeito, permaneço na sessão até que os créditos subam. Em alguns casos isso pode ser uma tortura.

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