TIROS EM COLUMBINE

TIROS EM COLUMBINE

(Bowling For Columbine)

2002 , 120 MIN.

12 anos

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Michael Moore

    Equipe técnica

    Roteiro: Michael Moore

    Produção: Charles Bishop, Jim Czarnecki, Kathleen Glynn, Michael Donovan, Michael Moore

    Fotografia: Brian Danitz, Michael McDonough

    Trilha Sonora: Jeff Gibbs

    Estúdio: Alliance Atlantis Communications, Dog Eat Dog Films, Iconolatry Productions Inc, Salter Street Films International, TiMe Film- und TV-Produktions GmbH, United Broadcasting Inc, Vif Babelsberger Filmproduktion GmbH & Co. Zweite KG

    Elenco

    Amanda Lamante, Arthur A. Busch, Augusto Pinochet, Barry Glassner, Byron Dorgan, Carey McWilliams, Charlton Heston, Daniel Mauser, David Satcher, David Smith, Denny Fennell, Dick Clark, Dick Herlan, Dick Hurlin, Ernest F. Hollings, Evan McCollum, George Bush, George W. Bush, Gerald Miller, Jacobo Arbenz, James Nichols, Jeff Rossen, Jeremy Hicks, Jimmie Hughes, Joe Farmer, John Harris, Manuel Noriega, Marilyn Manson, Mark Taylor, Mary Lorenz, Matt Stone, Michael Caldwell, Michael Moore, Mike Bradley, Mike Epstein, Mike Fasolo, Mohammed Mossadegh, Ngo Dinh Diem, Nicole Schlief, Richard Castaldo, Robert J. Pickell, Shah Mohammad Reza Pahlavi, Steve Davis, Susan Smith, Tamarla Owens, Terry Nichols, Timothy McVeigh, Tom Mauser

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Happiness is a warm gun
    When I hold you in my arms
    And I feel my finger on your trigger
    I know nobody can do me no harm
    Because happiness is a warm gun
    Yes it is


    Os versos acima são da música Happiness Is a Warm Gun (A Felicidade É Uma Arma Quente), gravada pelos Beatles em 1968. Trinta e cinco anos depois, a mesma ironia encontrada na música dos rapazes de Liverpool está em Tiros em Columbine, documentário dirigido por Michael Moore. A felicidade guardada em uma arma, essa paixão bélica tão agregada à cultura norte-americana, é tema do documentário.

    Cheio de cinismo, humor negro e ironia, Tiros em Columbine mostra como a violência que tanto aflige essa sociedade está ligada à cultura bélica norte-americana. Para os americanos, a arma de fogo significa proteção contra os que estão lá fora ameaçando seu "império". É como se todos estivessem prontos para atacá-los - sentimento potencializado após os atentados de 11 de setembro. Para Moore, a cultura do medo é a responsável pela aterrorizante média anual de 11 mil americanos mortos por armas de fogo - montante baixo se comparado aos índices brasileiros, que marca mais de 40 mil assassinatos ao ano.

    Desde a colonização do país - como mostra uma divertida animação inserida no documentário -, os americanos têm medo de tudo. De negros, dos estrangeiros, dos visitantes, de tudo que é diferente do american way of life. Por isso, a sociedade foi desenvolvida tendo como base a premissa de que uma arma de fogo os deixaria protegidos contra as ameaças externas. A mídia, que a cada dia bombardeia o público sobre notícias policiais, faz com que eles acreditem que fora de suas casas acontece uma verdadeira guerra civil entre bandidos e cidadãos.

    Moore seleciona uma série de acontecimentos que ilustra sua teoria, como o conhecido "Massacre de Columbine", quando Eric Harris, de 18 anos, e Dylan Klebold, de 17, armados com rifles semi-automáticos e bombas, mataram 12 estudantes e um professor na escola Columbine, em Littleton (subúrbio de Denver, Estado do Colorado), em abril de 1999. O cineasta teve acesso aos vídeos do circuito interno de segurança da escola, além das gravações dos telefonemas dados por professores à polícia no exato momento em que a dupla abria fogo contra alunos e professores. Na época, filmes violentos e a música que eles ouviam foram culpados pela atitude, mas o diretor nos mostra que o problema é bem mais profundo. Nos EUA, você pode comprar munição no supermercado da esquina. Armas também são de fácil acesso - o banco North Country (no Estado de Michigan), por exemplo, dá aos seus correntistas uma arma assim que eles abrem a conta. Pais estimulam seus filhos a aprender tiro ao alvo - assim como fizeram os pais dos dois garotos de Columbine. É bem mais fácil culpar o roqueiro Marilyn Manson (que dá um dos mais lúcidos depoimentos do filme) pela violência dos adolescentes americanos do que analisar desde o princípio como surgiu e pode ser acabada essa cultura bélica. Como mostra Moore, a causa está sob os narizes dos americanos, escondida nesta suposta proteção que eles acham que têm ao portar uma arma de fogo.

    Tiros em Columbine foi o primeiro documentário a competir no Festival de Cannes em 46 anos. Já a Associação Internacional de Documentários elegeu este o melhor filme do gênero de todos os tempos. Surpreendente foi a estatueta que o filme levou no último Oscar, uma vez que o documentário é uma provocação à sociedade americana, tendo em vista o conservadorismo dos membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas - os que escolhem os ganhadores do Oscar. Tiros em Columbine arrecadou mais de US$ 12 milhões nos EUA, o que é um montante expressivo em se tratando de um documentário.

    O histórico de Michael Moore nesse tipo de documentário vem de muito antes. Em Roger e Eu (1998), Moore acompanha a fabricante de automóveis General Motors e o seu então diretor executivo, Roger Smith, no fechamento de uma fábrica da empresa que deixou milhares de funcionários desempregados. Ele é um documentarista irônico, sem medos de desafiar a sociedade americana. Por isso, Tiros em Columbine é uma produção ousada não somente para quem está fora, mas, principalmente, para aqueles que vivem nessa sociedade falsamente protegida pelas escopetas, revólveres, pistolas e tudo quanto é tipo de arma de fogo que os americanos gostam tanto de guardar debaixo de seus travesseiros.

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