Pôster de Tokiori

TOKIORI, DOBRAS DO TEMPO

(Tokiori, Dobras do Tempo)

2012 , 106 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 22/11/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Paulo Pastorelo

    Equipe técnica

    Roteiro: Kentaro Sugao, Noriko Oda, Paulo Pastorelo

    Produção: Joana Mariani, Matias Mariani, Paulo Pastorelo

    Fotografia: Alexandre Samori

    Trilha Sonora: Ivan Vilela

    Estúdio: PRIMO Filmes

    Montador: Noriko Oda, Paulo Pastorelo

    Distribuidora: Lume Filmes

  • Crítica

    17/11/2013 05h00

    Este documentário dirigido por Paulo Pastorelo é um belo filme. Nota-se da abertura à subida dos créditos um cuidado especial, quase carinhoso, com as minúcias técnicas. Os enquadramentos são os melhores possíveis e a fotografia de Alexandre Samori alcança a dimensão poética e nostálgica pretendida pelo diretor ao fazer um retrato da história da imigração japonesa no Brasil.

    O filme vai buscar sua narrativa na memória de cinco famílias de imigrantes que se instalaram no Brasil nos anos 1930. Eles fincaram residência no bairro de Graminha, distrito do município de Oscar Bressane, no Oeste paulista, a cerca de 500 quilômetros da capital. Cartas, depoimentos, imagens de arquivo e o testemunho do próprio diretor compõem um panorama das impressões desses homens e mulheres em terra desconhecida.

    Tudo é muito interessante, mas falta dinamismo. Pastorelo demora-se demais na contemplação de cenários e protela o que de fato interessa: o conteúdo dos depoimentos dessa gente que partiu do Japão cheia de sonhos e encontrou por aqui uma realidade bem diferente do que imaginavam.

    Trabalharam duro, se adaptaram a um lugar hostil, mas ao longo dos anos sofreram com os revezes provenientes da adaptação cultural e da oscilação da economia brasileira que levou muitos deles à bancarrota.

    Há em Tokiori depoimentos interessantíssimos. Estes revelam preconceitos ("Brasileiro não gosta de trabalhar"), insatisfação ("Se pudesse, teria voltado para o Japão"), resignação ("Não queria casar, mas esse era meu destino") e fatos históricos ("Parte da colônia não acreditava que o Japão tivesse perdido a Segunda Guerra").

    O problema é que os 106 minutos de duração do longa revelam-se copiosos para seu conteúdo. Algumas cenas em que a câmera apenas observa o cotidiano dessa gente somam ao enredo, como quando vemos um velho imigrante sentar à mesa e revelar a incorporação inevitável dos costumes locais ao comer feijão. No entanto, muitas outras sequências nas quais a câmera se demora sobre o dia-a-dia desses personagens nada acrescentam.

    Tokiori – Dobras do Tempo tem uma fleuma quase oriental que casa pouco com o formato documental. Ansiasse por informação que vem em doses homeopáticas. Para um imigrante ou descendente o filme provavelmente conseguirá provocar um turbilhão de emoções e lembranças complementares ao que se vê na tela. Para quem não fez parte dessa história, fica a sensação de imoderado rodeio e pouca objetividade.

    Em tempo: há o uso excessivo de fades (transição da imagem para o escuro e volta à imagem) na montagem. Quando é usado na passagem de fotos de arquivo até se justifica, para dar o efeito de uma projeção de slides. Mas o recurso é usado também em momentos desnecessários e acabam por contribuir ainda mais para mitigar a agilidade da já arrastada trama.

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