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TOPSY-TURVY, O ESPETÁCULO

(Topsy-Turvy)

1999 , 160 MIN.

16 anos

Gênero: Musical

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Mike Leigh

    Equipe técnica

    Roteiro: Mike Leigh

    Produção: Simon Channing Williams / Georgina Lowe

    Fotografia: Dick Pope

    Trilha Sonora: Carl Davis, Gary Yershon

    Elenco

    Allan Corduner, Andy Serkis, Dexter Fletcher, Dorothy Atkinson, Eleanor David, Jim Broadbent, Kevin McKidd, Roger Heathcott, Ron Cook, Shirley Henderson, Wendy Nottingham

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Amantes da música clássica em geral e da opereta em particular certamente já conhecem algo da obra da dupla britânica William Schwenk Gilbert (1836-1911) e Arthur Seymour Sullivan (1842-1900). Numa comparação básica, sem pretensões eruditas, Gilbert e Sullivan foram o correspondente a Frank Lloyd Weber e Tim Rice do século 19. Ou seja, os mais bem-sucedidos compositores de espetáculos musicais de suas respectivas épocas.

    Sem a intenção de ser uma cinebiografia, o filme Topsy-Turvy, O Espetáculo, conta um pouco desta história de sucesso. O roteiro enfoca a trajetória dos compositores a partir de 1884, momento em que o já rico e famoso Sullivan (Allan Corduner, de Yentl) passa por uma profunda crise existencial. Ele não suporta mais as fórmulas comerciais e repetitivas das operetas que ele próprio, ao lado do colega Gilbert (Jim Broadbent, melhor ator em Veneza por este filme), ajudou a popularizar. Sullivan quer alçar vôos maiores, compor sinfonias, e não mais submeter a sua música às letras de Gilbert. Porém, ambos são contratados do Teatro Savoy, uma verdadeira galinha dos ovos de ouro da dupla, e quebrar o contrato significaria um grande prejuízo. A eterna dissonância entre a arte e o comércio vem à tona com força total.

    Quando a situação se encaminhava para um desfecho litigioso, Gilbert vai visitar – muito a contragosto – uma exposição sobre cultura japonesa. É lá, entre quimonos e kabukis, que nasce a inspiração para a ópera “O Mikado”, que mais tarde seria considerada o maior sucesso de Gilbert e Sullivan. A solução para o impasse comercial típico da sociedade capitalista ocidental, quem diria, estava no oriente.

    Com direção e roteiro de Mike Leigh, o mesmo do aclamado Segredos e Mentiras, Topsy-Turvy é um longo e exuberante espetáculo visual, musical e humano. Sem nenhuma preocupação em agradar aos fãs do cinemão comercial, o filme tem um ritmo muito próprio: lento quando necessário, recheado de números musicais operísticos, e na contra-mão da montagem fragmentada das produções atuais. Talvez quem não goste de música clássica possa se aborrecer, mas quem se dispuser a enfrentar as duas horas e quarenta minutos de projeção vai ser brindado com um show de interpretações (os ingleses são mestres nisso), diálogos sarcásticos e afiados, além de um belíssimo trabalho de maquiagem e figurinos que conquistou dois prêmios Oscar.

    Topsy-Turvy muitas vezes se perde ao querer abordar um número muito grande de situações e personagens, vários deles sem muita importância para a trama central. Há cenas onde a nossa impaciência ocidental fica clamando por um corte ou dois, mas mesmo assim é inegável que o filme é de encher olhos, ouvidos e corações. Procure vê-lo num cinema de primeira linha, com som digital e projeção perfeita.

    Curiosidade: Sullivan faleceu em 1900, vítima de seu crônico problema nos rins, tão ressaltado durante o filme. Gilbert morreu onze anos depois, de ataque cardíaco, logo após salvar a vida de uma jovem que se afogava num lago.



    3 de janeiro de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

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