TOTALMENTE INOCENTES

TOTALMENTE INOCENTES

(Totalmente Inocentes)

2012 , 90 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 07/09/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Rodrigo Bittencourt

    Equipe técnica

    Roteiro: Carolina Castro, Rafael Dragaud, Rodrigo Bittencourt

    Produção: Iafa Britz, Marisa Leão

    Fotografia: Fabio Burtin

    Trilha Sonora: Marcos Kuzka Cunha

    Distribuidora: Downtown Filmes, Paris Filmes, RioFilme

    Elenco

    Carlos Evandro, Fábio Assunção, Fábio Lago, Fábio Porchat, Fabrício Santiago, Gleison Silva, Jonathan Azevedo, Kiko Mascarenhas, Leandro Firmino, Lucas D' Jesus, Mariana Rios

  • Crítica

    02/09/2012 20h01

    Quando soube em 2011 que estavam produzindo uma comédia brasileira satirizando grandes sucessos do cinema nacional, fiquei empolgado basicamente por dois motivos: constatar que estávamos atrás de fazer coisas diferentes e saber que temos produções tão conhecidas do grande público a ponto de se poder parodiá-las nas telas. Todo esse ânimo se desfez quando assisti à Totalmente Inocentes, filme cheio de possibilidades, de bons atores, mas tão mal executado que jogou por terra qualquer chance de êxito.

    O problema de Totalmente Inocentes não está na ideia, mas na execução. Com roteiro pobre e direção tacanha não cumpre o compromisso básico de uma comédia: fazer rir. São 90 minutos de tentativas de se fazer humor, que ficam só na tentativa dado ao texto fraco do trio de roteiristas. A direção do estreante Rodrigo Bittencourt tampouco ajuda, aliás, piora o que já não estava bom em sua essência. É o típico caso de oportunidade desperdiçada. Nota-se claramente que faltou pelo menos uns três tratamentos no roteiro e alguém com habilidade para comandar tudo. Ser o dono da ideia não significa necessariamente ser a pessoa ideal para executá-la. Faltou essa humildade a Bittencourt e essa percepção aos produtores.

    Se existe um quesito no qual o filme acerta é na escolha do elenco. Por sinal, se não fosse o bom trabalho dos atores, talvez a sensação incômoda de assistir a uma comédia sem graça se tornasse um martírio atroz. Fábio Porchat, Kiko Mascarenhas, Fábio Assunção, Ingrid Guimarães, Mariana Rios e os novatos Lucas D' Jesus, Gleison Silva, Carlos Evandro mandam muito bem. Mas parecem um grupo de músicos de uma orquestras sinfônica regida por Chapolin. E essa piadinha sem graça que acabei de fazer, acreditem, é muito mais divertida do que muitas do filme.

    A história se passa na comunidade fictícia do DDC, no Rio de Janeiro. Lá, o traficante Do Morro (Porchat, impagável) assume o controle depois de trair seu chefe, o bandido efeminado Diaba Loira (Mascarenhas), que vai passar uma temporada na cadeia com seus comparsas tão afrescalhados quanto ele. Como novo líder do tráfico, Do Morro sonha agora em conquistar sua primeira-dama, Gildinha (Mariana Rios), que também é o alvo romântico do adolescente Da Fé (D' Jesus).

    Da Fé decide então virar bandido para poder enfrentar o concorrente e conquistar Gildinha. Ele se junta ao amigo Bracinho (Silva) e ao irmão menor Torrado (Evandro) numa incipiente vida de crime que não dá muito certo. Paralelamente, temos a história do jornalista bundão vivido por Fábio Assunção, que, atrás de um furo de reportagem, faz uma matéria com os meninos que desagrada tanto Do Morro quanto a Diaba Loira.

    É com o enredo acima que o filme pretendia ser uma sátira aos sucessos Tropa de Elite e Cidade de Deus. E, realmente, o longa faz diversas referências às produções. O problema é que satirizar é uma arte, não é tão fácil assim. Colocar os atores para repetirem falas dos filmes mencionados e, ao final, dar um close no pôster do referido filme é de uma sutileza digna de elefante em loja de cristais. Lembrei de um amigo crítico de cinema que me disse tempos atrás que os brasileiros estão fazendo muitos filmes, mas não estão assistindo. Tenho de concordar.

    Não há justificativa para os tropeços do longa. Sim, é a primeira vez que experimentamos o gênero, mas existem diversos exemplos no cinema americano pelos quais se pautar. Era só assistir aos melhores e ver o que funciona, assistir aos piores e ver o que não fazer. No final, teríamos algo minimamente digno. Não é o que acontece em Totalmente Inocentes, um filme inocentemente mal feito.

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