Trampolim do Forte

TRAMPOLIM DO FORTE

(Trampolim do Forte)

2010 , 90 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 20/12/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • João Rodrigo Mattos

    Equipe técnica

    Roteiro: João Rodrigo Mattos

    Produção: Alexandre Basso

    Fotografia: Pedro Semanovischi

    Distribuidora: Pipa Distribuidora

    Elenco

    Adailson dos Santos, Ewerton Machado, Jéssica Duarte, Laís Rocha, Lúcio Lima, Luiz Miranda, Marcélia Cartaxo, Zéu Britto

  • Crítica

    15/12/2013 17h39

    Este é um filme irregular é percebe-se isso logo de início. O diretor estreante em longa-metragem João Rodrigo Mattos abre com a cena de uma briga de casal seguida da fuga frenética de um garoto (a sequência alterna a câmera em primeira e terceira pessoas) em direção ao trampolim que dá título ao filme. Uma corrida, um mergulho e a breve escapatória da realidade sob as água do Porto da Barra, em Salvador.

    Um corte (malsucedido – e começamos a perceber que a montagem não é um dos fortes do filme) e somos apresentados ao segundo protagonista. Ele é acordado pela mãe (Marcélia Cartaxo) que pede o dinheiro da venda dos picolés para doar de dízimo no culto evangélico. O garoto reclama, queixa-se de trabalhar a semana toda para ver a mãe dar a féria para o pastor.

    Ela o repreende, diz que nunca lhe faltou nada e defende o reverendo. Este diálogo é esquemático, do tipo que sacrifica a naturalidade para estabelecer o conflito da relação mãe-filho de forma pressurosa. Outros diálogos artificiais virão, como o de dois turistas estrangeiros tentando "adotar" um dos meninos.

    Os protagonistas são Déo (Lúcio Lima) e Felizardo (Adaílson dos Santos), garotos pobres que desde cedo têm de lidar com os reveses da vida. É no trampolim, entre um mergulho e outro, que escapam de suas duras realidades para, pelo menos por breve momento, serem o que são: crianças.

    O longa de Mattos é mais um exemplo de produção nacional com potencial engolido pelo desejo quase incontrolável de abarcar muitos temas caros ao diretor – também autor do roteiro – num mesmo filme. Trata-se de um mal comum a muitos realizadores brasileiros, principalmente os em início de carreira.

    Já há na história de dois meninos pobres sobrevivendo nas ruas de Salvador material dramático suficiente para ser explorado em uma hora em meia de filme, mas a inclusão de subtramas envolvendo prostituição, tráfico de crianças, policias corruptos e um tarado pedófilo atacando na cidade soam supérfluas.

    O que fica é a sensação de que Trampolim do Forte parece algo surgido do esboço do que seriam vários outros filmes diferentes, mesmo que ambientados no mesmo lugar. A produção carece de unidade dramática, mas trabalha forçosamente atrás desta coesão nunca de fato encontrada.

    E se essa batalha pela uniformidade é perceptível aos olhos de quem vê, o mergulho de cabeça vira barrigada.

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