Cartaz de Transcendence: A Revolução

TRANSCENDENCE - A REVOLUÇÃO

(Transcendence)

2014 , 119 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 19/06/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Wally Pfister

    Equipe técnica

    Roteiro: Jack Paglen

    Produção: Andrew A. Kosove, Annie Marter, Broderick Johnson, Kate Cohen, Marisa Polvino

    Estúdio: Alcon Entertainment, Straight Up Films

    Elenco

    Johnny Depp

  • Crítica

    18/06/2014 11h34

    Por Daniel Reininger

    Novo filme estrelado por Johnny Depp, Transcendence - A Revolução é ousado apenas no título, afinal a produção não consegue fugir dos clichês sobre perigos da tecnologia – tema abordado tantas vezes no cinema. O longa comandado pelo estreante Wally Pfister, diretor de fotografia de A Origem, tem visual inspirado e só. Nem mesmo a história potencialmente interessante consegue entreter.

    Na trama, Depp é Will Caster, revolucionário cientista prestes a criar a primeira inteligência artificial consciente. Quando um grupo anti-tecnologia faz diversos atentados contra empresas do gênero, Caster é envenenado e tem poucos dias de vida. Sua esposa decide, então, tentar transferir a mente do marido para o computador, com a esperança de manter ao menos uma parte sua viva.

    O longa está cheio de momentos reflexivos quando, na verdade, não há nada a refletir, bem diferente do que o diretor Spike Jonze fez em Ela. No longa indicado ao Oscar deste ano, a Inteligência Artificial é tratada da forma mais humana possível, como seres que ao invés de destruírem seus criadores querem entendê-los, amá-los e, finalmente, seguir seu próprio caminho.

    Em Transcendence nada disso importa. O computador interpretado por Johnny Depp não tem a profundidade de Samantha (Scarlett Johansson em Ela) e está lá apenas para servir de ameaça simplória para a humanidade. Isso, a Skynet de O Exterminador Do Futuro faz melhor e olha que a vemos apenas por meio de  seus androides caçadores de humanos. Se pelo menos o suspense criado por Pfister fosse o mesmo, as coisas poderiam melhorar, mas esse aspecto é inexistente. Eventualmente, baixa o espírito Michael Bay em Pfister e começam a surgir ciborgues e explosões por todos os lados, mesmo assim o clima de monotonia não é quebrado.

    James Cameron, por exemplo, sabe como criar conflitos entre homem e máquina de forma convincente em filmes repletos de suspense e ação. Ele faz isso ao mostrar a tecnologia tanto como aliada quanto inimiga. Só que Transcendence já elimina essa possibilidade logo de início, ao mostrar um futuro próximo, no qual a tecnologia foi abandonada. O narrador (Paul Bettany) relata a "colisão inevitável entre a humanidade e a tecnologia", e, em seguida, começa a explicar como tudo aconteceu de forma linear, escolha segura e sem criatividade para um longa cujo final já está claro.

    De forma apressada, o roteiro do estreante Jack Paglen introduz a noção de que, assim como é possível salvar músicas em um disco rígido, podemos fazer o mesmo com a consciência humana. A passagem do tempo não fica clara, o que traz a sensação de uma realidade fragmentada. Coisas que deveriam levar anos parecem acontecer em questão de semanas. As decisões com implicações globais são feitas precipitadamente, sem um plano a longo prazo, e, aparentemente, sem o consentimento dos governos. A solução para o problema é tratada de forma desproporcional e o longa tenta nos convencer da lógica de criar uma catástrofe para impedir outra.

    Transcendence está cheio de ideias interessantes, mas as falhas são tantas que estragam qualquer chance de apreciarmos melhor essas questões. Não há como negar: o filme é belo e tecnicamente bem feito, porém atuações fracas, personagens simplórios e trama sem sentido atrapalham muito. O próprio Johnny Depp também não é mais o mesmo e parece lhe faltar a vontade de atuar de outrora. Mas ele nem é o maior problema do filme, triste mesmo é ver boas ideias serem mal executadas, mas essa não é uma novidade em Hollywood.

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