TRÊS MUNDOS

TRÊS MUNDOS

(Trois Mondes)

2011 , 101 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 31/05/2013

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Catherine Corsini

    Equipe técnica

    Roteiro: Benoit Graffin, Catherine Corsini

    Produção: Fabienne Vonier

    Fotografia: Claire Mathon

    Trilha Sonora: Grégoire Hetzel

    Estúdio: Canal+, Ciné+, Cinémage 5, France 3 Cinéma, France Télévision, La Banque Postale Images 5, Pyramide Productions, Région Ile-de-France, Sofica Manon 2

    Distribuidora: Imovision

  • Crítica

    28/05/2013 19h15

    Mesmo partindo de um mote previsível - vidas afetadas por um acontecimento -, Três Mundos encontra boas saídas para as ciladas nas quais o argumento principal poderia lhe jogar facilmente. Entretanto, não consegue empolgar com uma trama arrastada e maçante.

    O jovem Al, de origem humilde, luta durante anos para crescer profissionalmente dentro de uma concessionária e alcançar uma posição elevada. Por acaso – ou não – fica noivo da filha do dono. Depois do casamento terá parte da companhia em suas mãos.

    No ambiente da empresa, percebe-se seu desequilíbrio e indecisão entre manter-se um profissional responsável ou ser o cara descolado junto aos amigos que fez ao longo dos anos. Em uma noite com sua faceta descolada, bebe demais e causa um acidente. Com medo de perder as conquistas, foge. Mas não percebe que Juliette viu tudo.

    Temos o acusado, a vítima e a testemunha. O enredo lembra muito 21 Gramas, mas não tem sua densidade existencialista. Aqui, a questão é social, quase política. A universitária Juliette é parisiense e está grávida de seu professor estrangeiro. Tenta ajudar Vera, esposa do homem atropelado.

    Imigrantes ilegais na França, o casal não tem direito a nada. A crítica ferrenha às leis do país vem à tona em uma das melhores passagens do filme. Ao discutir sobre doação de órgãos com os médicos, Vera quer cobrar pela possível doação do marido. À reação indignada, dá uma resposta a altura.

    Ao tentar ajudar a viúva a pagar os custos médicos, Juliette vai atrás de Al. E ouvindo sua versão da história, se comove, não consegue julgá-lo de forma simplista. Esse é um dos clichês do qual Três Mundos consegue fugir, do posicionamento radical frente a um caso polêmico.

    O grande pano de fundo, exatamente aquilo que não o deixa cair num abismo de mesmice, é a questão de como as dificuldades podem tornar pessoas duras em relação à vida, como podemos agir de forma equivocada com nossos semelhantes para tentar proteger aquilo que conquistamos a duras penas.

    Raphaël Personnaz (Al) e Arta Dobroshi (Vera) ganham destaque em termos de atuação. Clotilde Hesme força a barra ao tentar parecer frágil e indecisa na pele de Juliette, carregando uma expressão inalterável. Esteticamente, as sequências no subúrbio de Paris são importantes para mostrar o contraste entre a crua realidade e a vida de sonho que Al poderia levar casando-se com a filha do chefe.

    Um ambiente austero, certamente, não cria pessoas amáveis e capazes de tomar decisões equilibradas. Três Mundos entrelaça vidas em um emaranhado de hostilidade a que todos estamos expostos e ajudamos a construir, sem termos noção onde tanta agressividade sofrida pode nos levar. No entanto, não vai muito além da superfície desse tema profundo - e passa sem deixar marcas.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus