Trinta

TRINTA

(Trinta)

2014 , 96 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 13/11/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Paulo Machline

    Equipe técnica

    Roteiro: Cláudio Galperin, Felipe Sholl, Maurício Zacharias, Paulo Machline

    Produção: Joana Mariani, Matias Mariani, Paulo Machline

    Fotografia: Lito Mendes da Rocha, Oswaldo Santana

    Estúdio: PRIMO Filmes

    Montador: Fernando Honesko

    Distribuidora: Fox Film

    Elenco

    Augusto Madeira, Ernani Moraes, Fabrício Boliveira, Léa Garcia, Marco Ricca, Mariana Nunes, Matheus Nachtergaele, Milhem Cortaz, Paolla Oliveira, Paulo Tiefenthaler, Tato Gabus

  • Crítica

    12/11/2014 10h01

    Nos anos 70, João Jorge Trinta revolucionou o carnaval do Rio de Janeiro. Seu estilo único e luxuoso, a capacidade de unir popular e erudito, história oficial e história oficiosa, ajudou o desfile de escolas de samba do Rio de Janeiro a se tornar uma de nossas maiores expressões - e um dos raros momentos de crítica política em meio a um país dominado pelas amarras da ditadura.

    É justamente o processo de feitura de Joãosinho Trinta que é contado em Trinta, longa dirigido pelo diretor Paulo Machline (Natimorto). Sua chegada ao Rio de Janeiro vindo de São Luís, o trabalho como integrante do corpo de baile do Theatro Municipal, sua amizade com Fernando Pamplona, tudo está retratado no longa que faz um sensível paralelo entre o homem intimista do cotidiano e a explosão de vivacidade que levava para a avenida.

    Trinta é ambientado no início dos anos 70, quando Joãosinho assume o desafio de preparar seu primeiro carnaval no Salgueiro, o histórico O Rei de França na Ilha da Assombração. Em seu filme anterior, o documentário A Raça Síntese de Joãosinho Trinta, Machline mostrou o artista consagrado e a preparação de um de seus últimos desfiles. Em Trinta, o objetivo é outro: mostrar a trajetória de construção desse artista. 

    Por isso o roteiro aposta em um certo ufanismo e perde seu compromisso histórico. Machline colocou no processo criativo de um mesmo desfile fatos que ocorreram ao longo dos mais de três décadas de carreira do carnavalesco. O preconceito por ser homossexual, o machismo do mundo do samba e as dificuldades de socialização também ganharam espaço nessa tentativa de compreender um homem de personalidade tão complexa e seu encantador transe criativo.

    A trama funciona porque conta com o talento de Matheus Nachtergaele, um de nossos atores mais brilhantes. A oposição construída pelo roteiro entre Trinta e Tião (Milhem Cortaz, também fabuloso) dá caldo, apesar de por vezes parecer um retrato raso e horizontal. A construção dos coadjuvantes talvez seja o grande problema do filme, já que houve uma simplificação de suas personalidades, uma opção que talvez queira buscar uma fácil leitura.

    O filme cresce quando mostra o retrato do homem genial, de sua solidão no trabalho diário, a dedicação exagerada ao processo de criação. Em seu melhor momento, Trinta desenvolve o enredo enquanto lembra das histórias que lhe eram contadas pela avó. A dialética entre o Municipal e o asfalto, a transformação do lixo em luxo, tudo  é retratado com uma sensibilidade elogiável.

    Trinta é, sem dúvida, uma bela homenagem para um homem que sempre esteve um passo a frente do nosso tempo, alguém que sempre promoveu pela alegria e pelo deboche aquilo que vem do nosso povo, as histórias que contamos. Provocador, idealista, foi por muitas vezes taxado de alucinado, um maluco. Mas, será que há limites entre a loucura e a razão?

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