TRÓIA

TRÓIA

(Troy)

2004 , 162 MIN.

Gênero: Ação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Wolfgang Petersen

    Equipe técnica

    Roteiro: David Benioff

    Produção: Colin Wilson, Diana Rathbun, Gail Katz, Wolfgang Petersen

    Fotografia: Roger Pratt

    Trilha Sonora: Gabriel Yared

    Estúdio: Warner Bros

    Elenco

    Brad Pitt, Brian Cox, Diane Kruger, Eric Bana, Orlando Bloom, Peter O'Toole, Sean Bean

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Já está fazendo quatro anos desde que Gladiador, de Ridley Scott, elevou os patamares de exigências para o gênero épico, fazendo inclusive com que vários produtores se animassem a tentar ressuscitar o estilo bélico-bíblico-grandioso que o cinema não via desde o megafracasso de Cleópatra, de 1963.

    Quatro anos, em informática aplicada a efeitos especiais, é um baita tempo. Por isso, havia uma grande expectativa em torno de Tróia, o mais recente e milionário investimento de Hollywood para o estilo. As quatro produtoras envolvidas no projeto - Warner, Village Road, Radiant e Plan B - anunciaram um investimento de US$ 185 milhões na superprodução. Dizem que foi mais. Cartazes de Brad Pitt no papel de Aquiles e fotos do mítico Cavalo de Tróia inundaram a imprensa mundial. Fãs de cinema se perguntavam: depois de reconstruir Roma em Gladiador, o que os cineastas vão aprontar agora? E o resultado finalmente chega nas telas de cinema trazendo - infelizmente - um forte sabor de decepção. Ao ver Tróia, o espectador mais desavisado pode até pensar que está assistindo a um filme antigo, na contramão do espetáculo cinematográfico que Gladiador proporcionou já há quatro anos.
    Por que antigo? Vamos por partes. O filme abre com um plano interminável, fixo, de um velho mapa da região da batalha e um texto supostamente didático que mais complica do que explica a situação da época.

    Exatamente como eram iniciados os velhos épicos dos anos 50. Estilística, estética e cinematograficamente, uma nulidade. Reprisando velhos erros do passado, os atores falam de modo solene e teatral. O grande Peter O´Toole, por exemplo, está patético. Não sei porque, mas em algum momento na história do cinema alguém convencionou que - antigamente - todos falavam como se estivessem no alto de um palco de teatro e ninguém interrompia ninguém. Falha que persiste até hoje e distancia os personagens do público. A fotografia de Roger Pratt (que fez um belo trabalho em Chocolate) não tem brilho nem inspiração. É burocrática e sem criatividade. E os tão esperados efeitos especiais, no fundo, não são tão especiais assim, deixando nítida a utilização precária da computação gráfica. Algo que uma cena virtual jamais pode transparecer... é que ela é virtual.

    Talvez um dos maiores pecados do filme seja a busca obsessiva pela grandiosidade gratuita. Alguns planos abertos regados a uma trilha irritantemente exagerada de James Horner (de Titanic) pretendem dar a Tróia um ar de gigantismo que, olhando bem a fundo, o filme não tem. Horner, por sinal, faz uma das piores trilhas dos últimos anos, mesclando pistões estridentes e trompas redundantes e despejando temas de sabor antigo de velhos seriados de TV. Descaradamente, usa vozes femininas que copiam a trilha de Gladiador. E repare: cenas que não ficaram "grandiosas" o suficiente na tela são sublinhadas pela trilha opulenta, numa tentativa de fazer com que o estresse auditivo compense a falha visual.

    E um último senão: e o cavalo? Não deveria ser o auge de um filme sobre Tróia uma cena que mostrasse como o gigantesco cavalo foi construído, em plena praia, a partir do material fornecido por mil navios e 50 mil homens? Pois pasmem: a cena não existe. O cavalo simplesmente aparece. Do nada. É como fazer um filme sobre Nero sem o incêndio de Roma. É fazer King Kong sem o macaco.

    No geral, o diretor alemão Wolfgang Petersen (Mar em Fúria) se sai melhor no drama dos personagens que na aventura épica da guerra. Encontram-se cenas de batalhas bem mais eficientes em Coração Valente ou mesmo em O Último Samurai.
    Mas nem tudo é perdido. O roteiro de David Benioff (o mesmo de A Última Noite, de Spike Lee) levanta questões interessantes, situando a ação num momento da Humanidade onde os deuses passam a ser questionados, abrindo espaço para a vontade do Homem, e inaugurando uma nova era do pensamento ocidental. "Os deuses nos invejam pela nossa imortalidade" é uma frase chave do filme. É também notável o fato da guerra de Tróia não ser hollywodianamente maniqueísta: entre gregos e troianos não há mocinhos nem bandidos, mas apenas pessoas normais lutando por aquilo que consideram certo. Ponto para o filme.

    Apesar dos vários defeitos, Tróia não pode ser chamado de ruim. A palavra mais correta seria "decepcionante". Afinal, um orçamento milionário, um elenco carismático liderado por Brad Pitt e uma trama inspirada na clássica A Ilíada, de Homero, deveria ter rendido emoções muito mais - digamos, homéricas - na tela grande do cinema.

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