TRON - O LEGADO

TRON - O LEGADO

(Tron Legacy)

2010 , 127 MIN.

10 anos

Gênero: Ficção Científica

Estréia: 17/12/2010

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Joseph Kosinski

    Equipe técnica

    Roteiro: Adam Horowitz, Edward Kitsis

    Produção: Jeffrey Silver, Sean Bailey, Steven Lisberger

    Fotografia: Claudio Miranda

    Trilha Sonora: Daft Punk

    Estúdio: Walt Disney

    Distribuidora: Disney

    Elenco

    Bruce Boxleitner, Garrett Hedlund, James Frain, Jeff Bridges, John Hurt, Michael Sheen, Olivia Wilde, Serinda Swan

  • Crítica

    09/12/2010 10h14

    Em 1982, pré-história da era da informática, o filme Tron estreou no Brasil com o pretensioso subtítulo Uma Odisseia Eletrônica (tentando um “gancho” com 2001: Uma Odisseia no Espaço) e cercado por uma campanha publicitária que o colocava como um pioneiro no uso da computação gráfica no cinema. O que de fato foi. A história falava de Kevin Flynn (Jeff Bridges), um brilhante criador de softwares que, digamos assim, acaba caindo dentro do mundo virtual, onde vive grandes aventuras futuristas. Era um tema bastante inovador, na época.

    Agora, quase 30 anos depois, a Disney lança a continuação Tron - O Legado, filme que tenta atingir as novas gerações, ao mesmo tempo em que flerta com quem era garotão na época e viu o original na tela grande. (Eu vi, mais precisamente no finado Cine Gazetão, em São Paulo). Para isso, começa ambientando a nova história em 1989, momento em que Kevin Flynn, agora um executivo de muito sucesso no campo da informática, desaparece deixando para trás seu filho Sam, de apenas 7 anos. Há um corte de 20 anos no tempo, quando a trama efetivamente começa a acontecer: o rapaz (agora vivido por Garrett Hedlund, de Eragon) cresceu rebelde e solitário, herdou parte do império do pai, mas se recusa a entrar no jogo capitalista da venda de sistemas operacionais. Espécie de Robin Hood virtual, Sam rouba segredos tecnológicos da própria empresa para disponibilizá-los gratuitamente na internet. Infelizmente este tema não será desenvolvido dentro do filme.

    Porém, uma notícia inesperada muda os rumos da vida de Sam: talvez seu desaparecido pai esteja tentando entrar em contato. Tem início assim uma das aventuras mais aborrecidas do ano. A exemplo do seu velho pai no filme de 82, Sam também é transportado para o mundo virtual, onde travará uma mega batalha com as forças do mal.

    Sim, independente de qual seja o mundo, o cinema americano tem uma verdadeira e infinita fixação maniqueísta pelas megabatalhas entre o bem e o mal, como se outro tema não existisse na dramaturgia mundial. No caso de Tron - O Legado, com alguns agravantes. As interpretações, por exemplo, soam forçadas e solenes, como nos velhos filmes épicos dos anos 50 ou nos faroestes dos 40. Não há química nem credibilidade entre os personagens. O tal mundo virtual, onde o filme se desenvolve quase que por inteiro, oferece um desenho de produção pouco ou nada atrativo, dos mais antiquados, além de ser demasiadamente escuro, visualmente cansativo, principalmente para quem for assistir com os já escuros óculos 3D. Falando nisso, o Sistema 3D - novamente - é sub-utilizado, a ponto de um letreiro no início da projeção alertar para o fato de que “algumas cenas foram filmadas em 2D”. Na verdade, o correto seria dizer que algumas - pouquíssimas - cenas foram, sim, rodadas em 3D. Foram vários os momentos da projeção em que eu tirei os óculos e não percebi nenhuma diferença.

    Mas nenhum cinema vai cobrar a menos por isso, vai?

    O fato não seria tão ruim se o roteiro pelo menos não fosse dos mais frouxos e sonolentos, agravado pelo fato do diretor estreante Joseph Kosinski ter sido inábil na construção dos personagens. Com heróis sem carisma e personagens de pouca dimensão dramática, fica quase impossível gerar um grau mínimo de empatia tela/plateia, pelo menos para que pudesse existir algum tipo de torcida nas cenas de batalhas.

    O desastre é completado pela trilha sonora heroica, excessiva e triunfante, que até pode ser agradável fora do filme, mas que parece brigar todo o tempo com as imagens. Repare por exemplo na cena em que Kevin conta para o filho Sam como o vilão Clue tomou o poder: o violino choroso que se ouve ao fundo é um dos momentos mais constrangedoramente piegas da história recente das trilhas sonoras.

    Se o Tron original já não era nenhuma maravilha, este é um desastre.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus