TROPA DE ELITE

TROPA DE ELITE

(Tropa de Elite)

2007 , 115 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 05/10/2007

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  • Ficha técnica

    Direção

    • José Padilha

    Equipe técnica

    Roteiro: André Batista, Bráulio Mantovani, José Padilha, Rodrigo Pimentel

    Produção: José Padilha, Marcos Prado

    Fotografia: Lula Carvalho

    Trilha Sonora: Pedro Bromfman

    Estúdio: Zazen Produções

    Distribuidora: Universal Pictures

    Elenco

    Álamo Facó, Alexandre Mofatti, Alexandre Neves, Allan Guilherme, Alvaro Diniz Viegas, Ana Paula Secco, Anderson Mello, André Felipe, André Ramiro, André Santinho, Augusto Madeira, Bento Ribeiro, Bernardo Jablonski, Brian Amorim, Bruno d'Elia, Caio Junqueira, Cássio Nascimento, Cesar Calixto, Cintia Rosa, Daniel Lentini, Diego Santiago, Emerson Gomes, Erick Burdon, Fábio Lago, Fernanda de Freitas, Fernanda Machado, Flávia Rubim, Gabriel Teixeira, Guilherme Guaral, Hugo Grativol, Ivens Godinho, Joana Medeiros, Juliano Cazarré, Kauã Messias, Leandro Castilho, Marcello Gonçalves, Marcello Melo Jr., Marcelo Cavalcanti, Marcelo Escorel, Marcelo Valle, Márcio Costa, Márcio Fonseca, Maria Ribeiro, Michel Blois, Milhem Cortaz, Murilo Elbas, Nathalia Dill, Pablo Sobral, Patrick Santos, Paulo Hamilton, Paulo Vilela, Pierre Santos, Rafael d'Avila, Rafael Gnone, Ricardo Sodré, Roberta Santiago, Rod Carvalho, Ronaldo Reis, Rosana Barros, Sandro Rocha, Saulo Rodrigues, Suzana Pires, Thelmo Fernandes, Thogun, Wagner Moura, Wendel Barros, Xando Graça

  • Crítica

    05/10/2007 00h00

    Tropa de Elite já é, antes de seu lançamento, um marco no cinema brasileiro. A polêmica, que envolve a própria trama em si, já começou na ilha de edição, quando uma cópia não-finalizada foi parar em bancas de camelôs no Rio de Janeiro. A pirataria, um problema preocupante à indústria cinematográfica mundial, atacou, desta vez, uma produção brasileira. De cara, o primeiro filme de ficção dirigido por José Padilha (do excelente documentário Ônibus 174) fez estardalhaço no Brasil.

    Toda essa história da ilegalidade envolvendo a produção de Tropa de Elite, antes mesmo de sua finalização, funciona como um chamariz à produção: sua primeira exibição em público foi realizada no Festival do Rio; a sessão aberta ao público, única dentro da programação do evento, teve seus ingressos esgotados uma hora após o início de suas vendas. Prova de que a pirataria do longa só fez com que a curiosidade do público fosse mais instigada ainda. Agora, a estréia de Tropa de Elite no Brasil, marcada para o dia 12 de outubro, foi antecipada em uma semana nos cinemas do Rio de Janeiro e São Paulo, onde ficará em cartaz a partir do dia 5. De acordo com a distribuidora, até a próxima semana, aproximadamente 250 cópias do longa estarão espalhadas nas salas nacionais, número bastante representativo em se tratando do lançamento de um filme brasileiro.

    Mas a polêmica em torno de Tropa de Elite não fica somente nessas histórias que surgiram em torno de sua produção. O longa de Padilha é uma verdadeira seqüência de tapas na cara do espectador. Ao mostrar com honestidade única os bastidores envolvendo a corrupção e a violência de duas instituições cariocas criadas para proteger os cidadãos - a Polícia Militar e o Batalhão de Operações Especiais (Bope) -, o filme reconstrói na tela toda a malha de relações de poder que transformam a capital carioca numa das cidades mais violentas do mundo.

    O roteiro - baseado no livro Elite da Tropa, de Luiz Eduardo Soares, André Baptista e Rodrigo Pimentel - mostra o cotidiano de um grupo de policiais no Rio de Janeiro. De um lado, temos Neto (Caio Junqueira) e André (André Ramiro), dois amigos de infância que acabaram de entrar na Polícia Militar carioca; de outro, o Capitão Nascimento (Wagner Moura), membro do Bope que passa por problemas pessoais e pretende sair da corporação, mas, para isso, precisa encontrar um substituto à altura.

    Na medida em que os caminhos desses personagens transformam-se num único, a história nos apresenta toda a relação de poderes que foram construídos não somente dentro da Polícia, marcada principalmente pela corrupção, mas também dentro das favelas cariocas e, conseqüentemente, a relação entre policiais e traficantes. Ao mesmo tempo em que o consumo de drogas é tratado com conivência dentro das mais altas rodas sociais, é essa prática e a corrupção policial que mantém o tráfico vivo. Tudo está interligado demais e, a esta altura, não há muito a ser feito. Quando uma unidade tão violenta e implacável quando o Bope é criada para corrigir os erros que a Polícia Militar acumula em sua atuação, temos um problema, principalmente moral. O fato de Tropa de Elite ser narrado por Nascimento faz com que o espectador perceba que violência se responde com violência numa situação como esta, mas sem julgamentos do que é certo e errado: está tudo errado e ponto final.

    Não há esperanças na realidade mostrada em Tropa de Elite. O filme passa longe do moralismo e do maniqueísmo, soluções fáceis ao se lidar com um tema como este. A produção não pretende apontar mocinhos e vilões; aqui, todos têm seu lado bom e ruim. Ao tratar os personagens como humanos, com seus interesses pessoais e fraquezas, Tropa de Elite torna-se mais real e palpável ainda ao espectador. O ambiente, definitivamente, é fator essencial ao moldar a personalidade e a moral dos personagens do longa.

    Enquanto a adrenalina cresce nos personagens durante as situações tensas pelas quais passam, a tensão também cresce no espectador, resultado dessa relação tão íntima que se trava entre a câmera e os acontecimentos do filme. A ausência do moralismo na construção dos personagens também faz com que o público seja cada vez mais envolvido em seus dramas e na violência que permeia seu dia-a-dia. As atuações do elenco de Tropa de Elite são primorosas, no mínimo, com destaque ao trio de protagonistas, Moura, Junqueira e Ramiro. A direção de Tropa de Elite é semelhante à documental: a câmera está na mão o tempo todo. Desta forma, as imagens acompanham intimamente toda a ação que se passa no filme; as cenas noturnas, tão difíceis de lidar - especialmente em ambientes de geografia tão instável, como as favelas -, também são muito bem filmadas.

    Ao abordar as causas e conseqüências da violência no Rio de Janeiro de uma forma tão profunda e verdadeira, Tropa de Elite dialoga não somente com a cidade onde se passa, mas com todo o país. A corrupção e a falta de moral estão presentes em todas as esferas sociais; por isso, o filme é tão essencial para que se entenda, afinal, como o Brasil parou nesse ciclo vicioso de imoralidade e violência.

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