TROPA DE ELITE 2

TROPA DE ELITE 2

(Tropa de Elite 2)

2010 , 118 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 08/10/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • José Padilha

    Equipe técnica

    Roteiro: Bráulio Mantovani, José Padilha, Rodrigo Pimentel

    Produção: José Padilha, Marcos Prado

    Fotografia: Lula Carvalho

    Trilha Sonora: Pedro Bromfman

    Estúdio: Feijão Filmes, Globo Filmes, RioFilme, Zazen Produções

    Distribuidora: Zazen Produções Audiovisuais

    Elenco

    Adriano Garib, Alex Sander, Alexandre Ackerman, Alexandre Liuzzi, André Mattos, André Ramiro, André Santinho, Bruno d'Elia, Cadu Fávero, Cássio Nascimento, Charles Fricks, Chico Melo, Deiwis Jamaica, Dudu Nobre, Emílio Orciollo Neto, Fabíola Ribeiro, Fabrício Boliveira, Francisco Salgado, Gabriel Teixeira, Guilherme Belém, Irandhir Santos, Johayne Hildefonso, Jovem Cerebral, Juliana Schalch, Julio Adrião, Kikito Junqueira, Luca Bianchi, Lucas Laerte, Luciano Vidigal, Marcello Gonçalves, Marcelo Assumpção, Marcelo Biju, Marcelo Cavalcanti, Márcio Fonseca, Marco Túlio Fernandes Filho, Maria Ribeiro, Milhem Cortaz, Paulo Giardini, Paulo Hamilton, Pedro Van-Held, Pierre Santos, Prazeres Barbosa, Ricardo Pavão, Ricardo Sodré, Roberta Arantes, Rod Carvalho, Rodrigo Candelot, Rogério Trindade, Ronaldo Reis, Roney Villela, Rose Abdallah, Sandro Rocha, Seu Jorge, Tainá Müller, Thogun, Vítor Fraga, Wagner Moura, William Vita, Willian J. Shakespeare, Zé Mário Farias

  • Crítica

    07/10/2010 15h28

    Esqueça o filme divertido de 2007, com bordões pop e esperança logo após uma desilusão. Tropa de Elite 2 – Agora o Inimigo é Outro é muito mais sério, pessimista, denso e corajoso, sensações que saltam no calor do pós-sessão. Se José Padilha tinha dado a cara a tapa em Tropa de Elite, a passagem do capitão a coronel Nascimento provocou um filme para-raio da sociedade brasileira.

    Esse aumento tanto da contundência como do pessimismo tem alguns porquês, entre eles o fato de não haver mais a necessidade de explicar cada um dos personagens. Todo mundo sabe quem é e o que pensa o Bope do filme, como funciona a cabeça do Capitão Nascimento e onde Padilha aponta sua câmera-metralhadora. Já que não a necessidade de cerimônias, quando as primeiras imagens de Tropa de Elite 2 ganham a tela, o filme começa de fato. O terreno está estabelecido e bola para frente.

    A trinca direção-roteiro-montagem cria uma sinuca de bico. Como o filme está inteiramente calcado em situações reais, óbvio que gera discussão e debate em torno de suas afirmações. Ao mesmo tempo, tem uma imensa capacidade de sucção do espectador, e por ser mais contundente que o primeiro, a digestão é até mais demorada. Traduzindo: percebe-se como o filme cutuca diversos interesses (drogas, política, milícias, corrupção, desigualdade, etc), mas a reflexão sobre tudo o que se passa durante a projeção fica para depois. Na verdade, para bem depois da sessão porque durante não há muito tempo. Um filme que precisa ser visto e revisto.

    Em Tropa de Elite, o sistema e seus tentáculos para manter tudo como está era o protagonista do filme. Na complexa trama da sequência, o crescimento das milícias nos morros cariocas é a estrela do filme, tendo em Coronel Nascimento (Wagner Moura) o responsável por interligar os núcleos a serem apresentados. Grosso modo: Governo e Estado, com a Secretaria de Segurança Pública logo abaixo; o Bope, cujo protagonista é André Mathias (André Ramiro), e a polícia, representada por Fábio (Milhem Cortaz, o ex-02); a disputa entre tráfico e milícia; Direitos Humanos e sociedade, ilustrados na figura do ativista Diogo Fraga (Irandhir Santos); a Imprensa, tanto com a corajosa repórter Clara (Tainá Müller) como o sensacionalista apresentador Fortunato (André Mattos).

    Claro que os primeiros ataques de Coronel Nascimento vão aos Direitos Humanos. Porém, num movimento parecido com o de Antônio das Mortes em Deus e o Diabo na Terra do Sol, o personagem de Wagner Moura vai de um lado a outro, percebendo que sua avaliação nunca saíra da superfície. Tropa de Elite 2 resolve ir mais a fundo, juntar algumas peças, fugir da alienação de seu protagonista e, com o mesmo ritmo alucinante do primeiro, chega a um entroncamento do qual não mais sairá: apesar de interligar as peças do jogo político, as soluções são complicadas e dependem da agenda política.

    Escrever sobre Tropa 2 logo após o final do filme é ter de lidar com um impacto avassalador. Isso não é pouco num momento de produção excessiva de imagens e informação. Ainda mais com um filme que dá porrada em tanta gente e está aberto a receber porrada de todos os lados. Sobra chumbo grosso para o Sistema, “o povo dos Direitos Humanos”, a politicagem, imprensa sensacionalista e por aí vai. Um filme sofisticado, que deixa claro suas conexões sem ser didático, com uma “pegada” de ação, mas cheio de espaços para conflitos psicológicos.

    Na costura do filme, direção-roteiro-montagem têm uma sintonia fina, assim como o trabalho de atores. Wagner Moura faz um arco da explosão do primeiro filme à implosão do segundo. Sua atuação acompanha integralmente a essência do filme: diferente de Tropa de Elite, a continuação é voltada para dentro, algo que se reflete no semblante acabado de Nascimento. Assim como o personagem percebe suas limitações, o filme chega a uma forquilha da qual não mais sairá.

    Temos também Irandhir Santos (que cara bom!) no papel mais visceral de sua ascendente carreira. No conjunto, os personagens colocam suas emoções para fora. Cabe tanto a Moura quanto a Santos o abacaxi de conviver com o que permanece dentro.

    Num primeiro momento, Tropa de Elite 2 parece um soco no estômago, mas depois sente-se que é uma desilusão com a miséria moral e humana. É só olhar para a cara de Wagner Moura que tudo está dito: “eu sou um nada”.

    Tropa de Elite 2 – Agora o Inimigo é Outro liga peças não tão fáceis de serem ligadas. E se tivesse sido lançado antes das eleições do primeiro turno?

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